Vem lavar-me os pés.
Com água morna e sabão.
Que a toalha na tua mão
Secará com a razão.
Estou a tua mercê.
Qual bicho para matar.
Em sítio árido e plano.
Sem abrigo ou dono.
Encontro água para beber.
Das tuas mãos o copo vem.
A sede morta por ti.
E morta vai. A água fica.
Só a água me mata a sede.
E tu matas e feres a sede que tenho.
E é com os pés lavados e sem sede
Que me recordo de ti.
07 agosto 2008
Existe sempre qualquer coisa
Existe sempre qualquer coisa.
Uma coisa que... assim assim.
Uma outra que nunca.
E outra ainda que talvez.
Qualquer coisa que falta.
Uma insatisfação permanente.
Um sentir fugaz. Uma fuga.
Dificil equilibrio de pés.
Que salta. Que se corta.
Que se cola e se enrola.
E se come e mastiga.
Com os dentes todos.
São muitas as coisas que existem.
São algumas coisas que quero.
Uma que nunca, outra que talvez.
São todas reais. São qualquer coisa.
Uma coisa que... assim assim.
Uma outra que nunca.
E outra ainda que talvez.
Qualquer coisa que falta.
Uma insatisfação permanente.
Um sentir fugaz. Uma fuga.
Dificil equilibrio de pés.
Que salta. Que se corta.
Que se cola e se enrola.
E se come e mastiga.
Com os dentes todos.
São muitas as coisas que existem.
São algumas coisas que quero.
Uma que nunca, outra que talvez.
São todas reais. São qualquer coisa.
05 agosto 2008
02 agosto 2008
Soube que nunca iria ser quem eu espero ser
Soube que nunca iria ser quem eu espero ser.
Soube pelas noticias que eu, nunca vou ser
Quem eu quero ser. Saiu nos jornais, na rádio
E nos demais... Eu soube...
E esta certeza é de longe o bem mais
Precioso que tenho de mim.
É aquilo, que me aconchega e liberta
Quando tudo cai. Quando me afogo.
Sombrio e triste avanço pela sombra
Do sol ao encontro do passado.
Ao encontro da noite que me faz
Lembrar o sorriso da tua boca.
De quem é a boca de que eu me lembro?
De nimguém que me ame.
Não me ama. Não existe.
Não vai haver. Sou nada.
Soube pelas noticias que eu, nunca vou ser
Quem eu quero ser. Saiu nos jornais, na rádio
E nos demais... Eu soube...
E esta certeza é de longe o bem mais
Precioso que tenho de mim.
É aquilo, que me aconchega e liberta
Quando tudo cai. Quando me afogo.
Sombrio e triste avanço pela sombra
Do sol ao encontro do passado.
Ao encontro da noite que me faz
Lembrar o sorriso da tua boca.
De quem é a boca de que eu me lembro?
De nimguém que me ame.
Não me ama. Não existe.
Não vai haver. Sou nada.
24 julho 2008
Claro Céu
O céu está cada vez mais claro. Algumas nuvens que pairavam sobre mim desapareceram. Outras, por sorte, desaparecerão. E estou a saborear a calma do dia, a paz que existe no respirar fundo.Vejo tudo com um olhar diferente. Um olhar real e possível. Tudo o que é, tem uma razão de ser. Não posso mudar a realidade exterior a mim, a realidade dos outros. Posso mudar a minha realidade e por consequência a realidade dos outros. A realidade dos outros vista pelos meus olhos.
A fraca audiência que existe na minha peça não me dilui a certeza do que tem que ser. Fraca sim, porque ainda assim existem alguns espectadores que tem um olhar atento sobre mim. E esses olhares fazem com que todos os dias aja com mais certeza e conviação na peça da vida.
Existem espectadores omnipresentes que tendo comprado bilhete não me olham frequentemente. São espectadores como os outros, de forma diversa, mas sempre espectadores.
E com o céu mais claro, pé ante pé, o palco é pisado.
22 julho 2008
Mordo os olhos para não te ver
Mordo os olhos para não te ver.
Escrevo com um lápis partido
Tudo o que te quero dizer.
Corro para ti deitado.
Presumo que será o ditado,
Qualquer entre muitos.
Já acrescido de faustos
E rogadas folias.
Empregue de piedosas penas.
Certo da certeza que tenho,
Como uma balança que pesa
A música e a dança.
Pelos imensos vãos escuros
Os relógios preduram.
Onde se escondem as horas,
Onde se encontram as palavras.
E sem um sentido com sentido,
Sem um passo certo,
Sem as ideias concretas.
As vezes mato as letras para não escrever.
Escrevo com um lápis partido
Tudo o que te quero dizer.
Corro para ti deitado.
Presumo que será o ditado,
Qualquer entre muitos.
Já acrescido de faustos
E rogadas folias.
Empregue de piedosas penas.
Certo da certeza que tenho,
Como uma balança que pesa
A música e a dança.
Pelos imensos vãos escuros
Os relógios preduram.
Onde se escondem as horas,
Onde se encontram as palavras.
E sem um sentido com sentido,
Sem um passo certo,
Sem as ideias concretas.
As vezes mato as letras para não escrever.
15 julho 2008
E tudo o que o vento não levava
E tudo o que o vento não levava
Os rios não traziam.
Sobre as tábuas do sobrado
O pó dos teus sentimentos.
E o vento que os varria
Trouxe-os até mim.
Na minha pele se colaram,
Os poros fecharam.
E tudo o que o vento não trazia,
Ficou longe da memória.
Essa casa de recordações
Que os olhos cansados já não vêem.
Abre-se o céu.
Abro a boca dentro de água.
E um beijo intemporal do nada
Que irá ser, os rios irão trazer.
Os rios não traziam.
Sobre as tábuas do sobrado
O pó dos teus sentimentos.
E o vento que os varria
Trouxe-os até mim.
Na minha pele se colaram,
Os poros fecharam.
E tudo o que o vento não trazia,
Ficou longe da memória.
Essa casa de recordações
Que os olhos cansados já não vêem.
Abre-se o céu.
Abro a boca dentro de água.
E um beijo intemporal do nada
Que irá ser, os rios irão trazer.
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