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14 julho 2013

E as noticias? As cartas que esqueci de te mandar?

E as noticias? As cartas que esqueci de te mandar?
Não esperes, pelo que não vai acontecer.
Não amargures os dias pela saudade, de querer ter.
O bem é respirar algo fresco ou quente.

Alguma coisa presente, e não ausente.
Não esperes, pelas cartas. Esquece.
Foge, corre pelo pensamento.
Faz o cérebro esquecer. Manda.

Olha para uma coisa, infinitamente. 
Manda-te esquecer-te de mim.
Sempre podes chantagear-te com
Chocolates e outros doces. Mais.

É proibido esperares por mim.
Escuta o silêncio vezes sem conta,
E vais ver que não sou eu.
Não te escrevo, nem sou eu.

É uma perda de tempo, inútil
Mesmo. Se não o fizeres.
Não vais ter cartas minhas.
É inútil esperares. Inútil.

Não esperes.
Há dias em que vejo as pessoas
A lerem cartas. Mas não vou escrever.
Nem uma. Nada. Não vou escrever nada.


16 fevereiro 2013

Primeiro post do ano - Prémio Consolação

  Este é o primeiro post deste ano por isso tratem-no bem. Carinhosamente.
Haveria bastante para falar de amores, um tema que poderia não referir. Mas não vou falar. Ficam com água na boca.
  Em vez de falar sobre a minha interessantíssima vida, resolvi escrever um poema. Que se segue.

Qualquer dia digo-te olá.
Um olá, por dia. Simples.
Nada de muito complicado.
Sem ser... abusado.

Um dia, para ser corajoso.
Digo-te um olá, seboso.
A pensar que não te importas.
Sem dias a pensar, em ti.

Um dia digo-te alguma coisa.
Mas não vais perceber.
Eu tenho segundas intenções.
Para além de ver a lua e as estrelas.

De falar de cometas e janelas.
Do tempo. E sentir o frio nos pés.
Parece-me alguma coisa. Pouca.
Raro. Como eles dizem.

Um pouco. E muito.
Qualquer dia digo-te olá.
Sem me importar com as consequências.
Sem reticencias. Sem "encias".

Boa noite.

13 agosto 2012

Atento a tudo e a todos

Atento a tudo e a todos.
Como se o meu corpo fosse,
O receptáculo das ondas beta e gama.
Quase a hora, de ir prá cama.

Este atentar, atenta, está para mim,
Como o açúcar, para a formiga.
Como o mel, para os ursos.
E sobeja tempo... o tempo...

Para ver, o espaço. E para cair
De cú numa cadeira, e comer.
E para lavar a cara e respirar.
E um decote espreitar, pouco.

Sobra o tempo, que não tenho.
O espaço que não é meu.
Tenho tudo o que tenho.
Mas não tenho, o que será. 

28 junho 2012

Certa vez um calhau, de cabeça

Certa vez um calhau, de cabeça,
Parou frente a uma montra.
Logo se prendeu a uma tonta,
Uma manequim de plástico e cortiça.

Entrou, em passo curto,
Á procura da empregada.
Conseguiu encontra-la
Junto da máquina registadora.

Oh! Menina, Jesus Cristo me valha!
Diga-me se posso comprar a Senhora
Que está na montra? Pago bem.
Em plástico e com bons modos.

Raismapartam este Gajo,
Logo agora que ia fechar...
O Senhor não vê, que a Senhora
Não está a venda? É a fingir...!

Se quer uma comprar,
Eu levo 35 euros a hora...
Não! Puta por puta, ao menos
Uma que não grite, quando eu a matar!

14 maio 2012

Mostra-me o teu dedo grande do pé

Mostra-me o teu dedo grande do pé.
Mesmo que cheire um bocadinho a... chulé.
Mesmo assim, tira a meia azul bebé.
E mostra-me o dedo grande do pé.

Por vicissitudes alheias a tua vontade,
Eu escolhi por ser maior de idade.
Um dedo grande do pé, nú, belo.
Prostrado e quase acamado.

Paralisado, como um raio disparado,
Com cores estereotipadas.
Quase como um condenado.
Preso a um pé, convicto da sua razão.

Não! Não quero ver todos eles.
Só quero o teu, dedo grande do pé.
Sim. É egoísmo retirado de uma
Grade de cerveja e de um jantar aclamado.

Por debaixo da mesa, o dedo grande do pé,
O teu dedo grande do pé, penetrou pela
Bainha das minhas calças e descobriu,
A perna com pelos, que segura o meu pé.

Um dedo grande, procura cegamente,
O seu par. Meio sério meio a brincar,
Debrucei-me sobre o teu ombro e
Perguntei: Sabes... a côr da da ilusão?

Depois de responderes que não,
Pus a minha mão por baixo da mesa
E agarrei o teu dedo grande do pé.
A côr é a da minha mão, que te agarra.

E sofrendo de espasmos mentais,
De inconsciência do real, olhas
Para mim tentando disfarçar
A tentação de me matares...
 

02 maio 2012

Passo a mão pelo cabelo.

Passo a mão pelo cabelo.
Tentando acariciar as ideias, os pensamentos.
Encontrar alguma que esteja, ali a mão.
Que esteja a tentar fugir.

Mas nada apanham as mãos.
Nem o cabelo que peca por pouco.
Nem a cabeça que é grande demais.
E sobeja o pouco, parecido com nada.

E as mãos vazias tornam ao colo.
Parecendo vazias, suaves.
Nada é suave nem vazio.
O pouco cheio, é o muito por ter.

As mãos tornam a percorrer vezes sem fim,
O cabelo pelo mesmo caminho.
Ás vezes indo para o pescoço.
Onde o cabelo acaba. E a pele começa.

E ideias de coisas, de loiças, e sobremesas.
De pernil assado, ou torradas barradas
Com manteiga. São ideias. Presentes.
Como os dentes, as unhas, ou os sinais.

E como tantas outras ideias, voam
Pelo meu cérebro complacente,
Enormemente simples e caótico.
As mão não apanham nada.

Consequentemente a cabeça
Guilhotinada pelas ideias da mente
Acalma-se e faz o que deve fazer.
Prende os pelos capilares à pele dormente.

06 fevereiro 2012

Esofromatem

Só para que conste, o tema de Fevereiro da Fábrica de Letras é: Metamorfose. Utilizem um espelho para ler o titulo do post, e lá está.


Quando bebia água, vi-te entrar.
Cheirei o teu perfume, e o teu andar.
Ouvia o teu respirar, muda de palavras.
Enquanto os bolsos aqueciam as mãos.

Os pés elevados no ar, sentada no muro.
Faz bolas de sabão, que flutuam no espaço.
Gargalha para o chão, olhando o ser ali.
E pode. Para lá da floresta, da negritude.

E ao caminhar para longe, pensava.
Com as mãos no bolsos, procurava.
Estavas lá. Onde não te via. Lá.
Num outro tempo. Ar e cores.

E sabia que ao beber água,
As palavras eram outras.
Mas eu e tu éramos os mesmos.
E continuas a ser, e eu vi-te entrar.

12 fevereiro 2011

Entrego-me à vida...

Entrego-me à vida com a impressão de respirar.
Subscrevo o que vejo imitando o que penso.
Tenho o sabor amargo dela ainda em mim.
Essa invasão permanente que já vai sendo um hábito.

Reajo a tudo inconsequentemente. Ajo consciente.
Inalo as fragrâncias da beleza diária.
Permito-me duvidar das minhas escolhas.
Mas escolho. Agarro na faca e furo. Furo.

Aqui perto da garganta um corte. Outro perto do coração.
As pernas e os braços. A cabeça está como um passador.
Mas a dor não passa. Já cortei os pés e a língua.
Mas ainda ando e falo. Nunca cortei as mãos.

E todos os furos e cortes em mim, não chegam para
Que a cabeça aja sem a certeza que tenho.
Que o ar é límpido e respirável.
Existe algo por que eu respiro...

03 janeiro 2011

Constipado

Constipado.
Sem mel para pôr no leite.
Com o nariz a pingar, e de boca aberta,
Para respirar. Fungo como um bebé.

E os mimos? Não há.
Já não tenho idade para ter mimos.
Agora tenho que tomar, os comprimidos.
E esperar que a constipação, passe.

A minha voz está mais grave.
Falo com voz de constipado.
Pareço um Conde cheio de prosápia.
De peito cheio, todo enfadado.

E o resto? O resto...
O resto resume-se a um copo de leite
Com café. E torradas com manteiga e
Marmelada. Comida de Conde!

Rio-me de toda esta conversa.
Tudo uma treta. Sim uma treta.
Ao fim ao cabo, é só uma constipação.
Como outras tantas que já tive.

E o que me mata não é o vírus.
É o saber que depois desta vem outra.
E mais outra. E outra ainda. E mais.
E fico fodido, porque não gosto de me constipar.

Fico de mau humor, sem paciência.
Com as virtudes dos assassinos.
Com a moralidade dos burgueses.
Cheio de frio... e de lógica.

Xixi, cama! É para lá que vou.
Sonhar. Sem constipações.
Sem nada que me faça espirrar.
Coberto pelo quente dos lençóis.

25 dezembro 2010

Quando

Quando eu não te posso ver.
Quando eu não te posso ouvir.
Quando eu não sei se te quero ouvir e ver.
Quando eu te quero ver.

Quando eu não quero pensar em ti.
Quando eu não quero pensar em pensar em ti.
Quando eu não quero pensar.
Quando eu quero pensar em ti.

Quando eu não sei se te amo.
Quando eu não sei o que és.
Quando eu não sei se és quem eu amo.
Quando eu sei que te amo.

Quando eu não sei se és só uma paixão.
Quando eu não sei se és uma ilusão.
Quando eu não sei se a ilusão é a paixão.
Quando eu sei que és.

Quando eu não sei ouvir a tua voz.
Quando eu não sei o toque da tua mão.
Quando eu não sei saber que me tocas e falas.
Quando eu sei que me amas.

Quando eu não te vejo.
Quando eu não te quero ver.
Quando eu não te olho sem saber.
Quando eu sei que te vejo.

Quando todas as coisas eu não quero.
Quando tudo é áspero.
Quando eu não quero nada de ti.
Quando eu quero tudo de ti. Espero.

Quando mais vale pensar em tudo menos em ti.
Quando tudo é mais do que tu.
Quando és mais do que eu.
Quando me apetece viver por não te ter.

Quando tu não sabes que não te amo.
Quando tu não sabes que não te quero.
Quando tu não sabes quem eu sou.
Quando tu sabes o que sou eu.

26 novembro 2010

E a minha vontade era pegar em ti

E a minha vontade era pegar em ti
E levar- te a correr pela mão.
Ficar sem folego mas mesmo assim continuar.
E não largar a tua mão.

E a minha vontade era pegar em ti.
A minha mão pegar a tua. Correr sem parar.
A rir. Saltar os buracos, as pedras dos passeios.
Fazer razias aos candeeiros e aos carros.

A minha vontade era pegar em ti.
E pela mão, a minha e a tua juntas, correr.
Não pensar para onde. Apenas correr.
Como duas crianças a brincar.

E a vontade é nenhuma sem ti.
Sem te pegar. Estou aqui a desejar.
Pegar. E a minha vontade de correr
É tanta que penso no ar, em querer pegar em ti.

11 novembro 2010

Pega em mim e adormece-me

Pega em mim e adormece-me.
Agarra nos meus pés e arrasta-me pelo chão.
Passa pela porta, e estou morto.
Os teus braços debaixo dos meus, levantam-me.

Deita-me na cama. Está escuro o quarto de noite.
Levanta a alça caída branca da camisa.
Senta-te a meu lado. Tens os pés frios.
Olha para mim, para o meu corpo.

Sente o peso do ar. Respira.
Move a tua mente para a tua mão.
No meu peito ela fica, fria depois quente.
Sente o meu coração. O meu corpo ausente.

Sente. Deita-te a meu lado. Olha o tecto.
Branco. Fecha os olhos. Ali ao lado um ser.
Ao teu lado. De olhos fechados, dorme.
Passa a tua perna por cima das minhas pernas.

Vira-te para mim. Olha a minha orelha.
A pele. As sobrancelhas, o nariz e a boca.
Traz a tua boca para perto. Fala comigo.
Diz-me as tuas palavras.

Tenta acordar-me com elas. Fala com sossego.
Sente a tua alma dançar com as palavras que dizes.
Sobe a tua perna até a minha virilha.
O teu joelho sente a diferença de calor.

Olha para a tua mão que sente o meu peito.
As unhas. Os dedos. A tua mão.
Para de falar. Engole em seco pela primeira vez.
Cheira o meu cheiro no pescoço.

Vê o fundo da cama e a outra perna, e o pé.
Levanta a cabeça. Coloca o teu braço esquerdo
Por baixo do meu pescoço. Junta a tua cabeça
A minha. Sente o meu corpo junto a ti.

O teu corpo junto ao meu. Abraça-me.
Para ti sou teu. Respira o ar quente.
Sente a maneira grande de abraçar.
Que é pouco. Ouve o teu coração bater. Colada a mim.

Não me queres acordar. Só queres que aquele momento não acabe.

01 novembro 2010

A tua boca na minha

Lançaste-te sobre a presa,
Com a vontade na boca.
Mataste a sede, deste de beber.
Prendeste-me suavemente.

A tua boca de veludo quente
Envolveu-me por completo.
Atirou-me ao chão. Tu e eu
Sós em qualquer tempo e espaço.

E tive a vontade carnal de te possuir.
De te agarrar nos cabelos. Um beijo no pescoço.
De cheirar a tua pele. Apalpar-te o ventre.
Olhar nos teus olhos...

Ver-me, ao frio colado a ti.
E uma música aparece. Clássica.
Onde as cordas dos violinos fazem som.
A nossa respiração parece só uma.

10 setembro 2010

Custa-me respirar

Custa-me respirar.
Nem pensar me custa porque não penso. Não quero.
Doí quando penso...
E quero.

O jantar foi um prato vazio.
Imaculado. Branco.
Respiro lentamente.
Sem nada que me prenda aqui.

Sem cordas ou algemas.
Prende o coração alguma coisa.
Intangível. Imaterial.
Não palpável.

E respiro lentamente.
Tão lentamente que o que sinto
É anestesiado pelo bater lento.
O desaparecimento.

Morde-me. Arranca-me a carne.
Rasga-me a pele. Faz-me existir.
De paixão gritar e fugir e chorar.
Mata-me para viver.

Educa o meu corpo. A minha mente.
Faz um beijo parar o meu coração.
Faz um abraço soltar o meu choro.
Um olhar parar o tempo.

Um copo de água translúcida.
Foi o que bebi. Alguns Dunhill.
Janela aberta. As letras aqui.
E o grito que me fazes não gritar, grito.

E o medo. O infinito e infame medo que me invade.
Nojo de mim. Repulsa-me eu. Nada eu sou.
Sou nada. E nada é uma matéria escura. Invisível.
Ali onde se escondem as almas.

30 agosto 2010

Tento cheirar o teu cheiro

Tento cheirar o teu cheiro.
Alcançar o que deixas cair das tuas mãos.
Enquanto andas. E quase sinto os teus cabelos
Na minha cara.

Tento tocar a tua pele.
Fechar os olhos e sentir-te.
A pele. Respiro fundo.
Vivo o ar que entra em mim.

Tento tocar o teu coração.
Suavemente...
Levemente...
Sentindo o que dás.

Tento tocar o teu corpo.
Só. Mar. Céu. Terra. Fogo.
Uma brisa marítima. Um.
Irreal.

19 agosto 2010

Entra na minha cabeça e pinta-a com cores

Entra na minha cabeça e pinta-a com cores.
Faz um arco íris cerebral. Arranha-me o cérebro
Com as tuas unhas. Latente.
Sopra um vento fresco para dentro de mim.

Faz-me explodir o corpo. Espalha-me pelo chão.
Apanha os pedaços de mim e junta-os.
Limpa o meu sangue do chão.
Uma gargalhada soltasse da tua voz.

O meu corpo tenta falar. De uma forma
Qualquer. Com um sentido uniforme.
Disforme. Perdido em convulsões e
Espasmos fisícos. Olhas atenta com a cabeça de lado. Esquerdo.

Tudo é pouco e demasiado.
O som do vento entra nos meus ouvidos.
Invisível o vento. A sua cor.
Sopra o vento…

10 maio 2010

Estou sentado no meu sofá creme

Estou sentado no meu sofá creme.
Milhares de pensamentos, linhas difusas penso, na minha cabeça.
Tento colar, atar, as pontas entre eles. Sem sentido. Sem conseguir.
Corro contra a imperfeição da mente. Contra o vento de frente.

Um correr feito de amargura, de paixão. De ar. Corpo.
Sou mais do que pensava ser. Infinitamente pequeno.
Descubro no meu rosto traços que não existiam.
Só pelo latejar do sangue que me irriga a cabeça.

Sobrepasso sobre mim.

Tu. Tudo és tu. A impulsão e uma calma que se juntam.
Que se apoderam de mim ao mesmo tempo. A imperfeição.
Todos os minutos são curtos. Demasiado curtos. Os minutos.
E eu? Eu sou muito pouco. Menos que minutos...

Releio as imagens guardadas na minha cabeça.
Os sentidos, as estradas, os momentos.
Pensamentos, só isso.
Aqui no meu sofá creme, existo, pouco.

Não é mais o meu ser que me fascina. É o não ser.
O não que sou. O prazer de morrer. De não viver.
De não respirar, de não comer. De não amar.
E tudo o que sou faz-me mal.

Fascinado pela dor sem perceber. Sem saber.
É qualquer coisa. Qualquer coisa...
Há quem lhe chame viver. Eu, chamo-lhe dor.
Estou viciado em viver o meu não que sou.

Se por entre a chuva me conseguires ouvir.
Sou eu, que murmura o teu nome.
Voz que não existe, que é muda. Calada.
É creme...

26 abril 2010

Não me apetece

Não me apetece mais. Estou farto. Farto.
As raízes que me prendem. Não me apetece.
Sinto a realidade e não me apetece.
Não quero ter forças e não tenho.

Pairo como uma ave num monte.
Quieto olho o horizonte, em baixo.
Não sei as palavras que penso.
Não as escrevo, nem sinto.

Ai... a forma de te ver. Respirar.
A mão que me segura é suave.
Quase imperceptível ao toque.
Sinto só.

Na minha cabeça o tempo parou.
O meu tempo. Nada é muito pouco.
E o que me dá esse tempo é só
O bem que me fazes. A mim.

18 abril 2010

Longe

Longe. Estás longe como o longe é.
Longe de mim, onde as pedras são brancas.
E aqui neste buraco onde estou, a luz é pouca.
Neste sítio a minha presença não existe.

Estou longe. Tão longe como o longe é.
Num sítio onde a luz floresce, onde as pedras são pretas.
A indiferença que o tempo me tem, que o espaço me mata.
Sou uma espécie de ser vivo. Anormalmente vivo.

Nado para não me afogar. Nado sem poder escolher.
Quase que me destempero. Que saio de mim mesmo.
E de fora ficam os órgãos, as veias os músculos.
O coração lateja. O cérebro seca ao vento...

Sinto o meu coração. Está dentro de mim.
E aí onde as pedras são pretas... aí...
O teu coração bate. E eu sinto.
Longe, longe...