09 janeiro 2012

Crise

A crise é para os portugueses, como a mosca para a caca. É verdade. Quando um nascituro respira o ar da pátria e ouve a língua de Camões, começa logo a receber os sinais de que a sua vidinha não vai ser fácil. Desde cedo aprendemos a palavra crise. Quando pedimos uma bola aos nossos pais, não pode ser, por causa da... crise. Quando queremos viajar, ter a nossa independência financeira, não pode ser por causa da... crise.
A crise é desde a queda do império uma constante obsessiva. Até estou a imaginar a última nau a entrar no cais das colunas, com os marujos todos aperaltados a gritar: "Tamos fodidos, vem aí a crise!" A crise a voar em forma de poía mega-gigante, manteve-se até este minuto a pairar sobre as nossas cabeças lusas. E nós as moscas, cá em baixo a pensar, quando é que ela cai? Já era tempo de arranjarmos maneira de ela não cheirar tão mal. Ou inventar uma super-arma e estoirar com ela de vez. Até lá vamos dando umas fisgadas com pedra da calçada portuguesa, umas garrafas de vinho do porto, uns biquínis ou uns sapatos de coiro "made in Portugal".
Estamos sempre a espera que passe, há essa esperança, mas ela nunca mais vai embora. Ganda merda!

p.s.: agradeço ao blog Fábrica de Letras, o tema para abrir o ano de 2011.

23 dezembro 2011

Apocalyptica - Bittersweet

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Amargo e doce...

Está frio. Esta casa é fria de inverno e quente de verão.Como é normal em todas as casas, sim. Mas esta particularmente pela sua estrutura, e localização, é fustigada ainda mais. E é nesta casa agora fria, que me deito e levanto todas as noites. Sou forte para aguentar o frio e o calor. Mas há alturas poucas, em que demonstro a minha fragilidade, aos outros. Estou numa dessas alturas. Tento, disfarçar a tristeza, a amargura das coisas menos boas, com um pensamento positivo sobre o amanhã que não conheço. Deitar a cabeça na almofada e adormecer a pensar na defesa do meu guarda redes preferido, ou num sorriso, um olhar, uma frase. E pensar que ao dormir e talvez sonhar com coisas boas, o amanhã seja cheio de luz. Rir, e ser estúpido. E como sou muito fechado em relação aos meus sentimentos, quer sejam eles, bons ou maus, nem sempre os outros corpos mortais me sabem ler. Sei quem me lê como ninguém. E sei que me lêem, sem eu saber que sabem. E ao não saber não me causa impressão no mau sentido. Ainda bem que é assim. Gosto de surpresas. E de surpreender. Estou a passar uma fase de várias mudanças, ao mesmo tempo. Quer a nível pessoal e de trabalho. Nada na minha vida, começa e acaba em conjunto. Tudo se desenvolve ao mesmo tempo. Outras realidades de mim, entrelaçam-se como o ADN, A meio de uma, tenho o fim de outra, ou o inicio de outra. Sempre fui muito realista e duro comigo mesmo com as consequências de tudo o que faço e que me atingem negativamente, ou não. Está feito, Zé foste tu que quiseste. Quiseste, pudeste e desejaste que assim fosse. É.
Um dia destes como uma amiga minha diz, caiu-me a ficha. Subi, subi, subi... e o ar começou a esvaziar o balão, que via tudo de cima. Aterrei suavemente. Mas a ficha tinha caído. Consiga eu não cair mesmo. Tento que não me vejam como sou realmente. Muito emotivo. Entre outros atributos. Defeitos e feitios. Como disse hoje, estou em piloto automático. Auto infligi a mim mesmo um estado de calma. Serenidade, para que as coisas se passem, melhor. Deixo de lado, propositadamente um tema, o do coração. Só eu sei o que ele sente. Verdade, verdade, não sou, só eu..