12 maio 2007

Oásis, a vida de um nomada

Aquilo que sou só os outros o podem dizer. Neste momento sinto-me um nomada no deserto. Um deserto onde só se vê a areia, o sol, o céu e a minha sombra, para me fazerem companhia. Por onde passo, vejo os oásis verdejantes, com água a cair de riachos, as suas casas pequenas, e as frondosas palmeiras, que ao longe, por serem tão grandes, indicam ao viajante que ali há vida.
E quando é possível, e se tiver vontade, paro e fico num desses oásis. O tempo de estadia varia com a vontade, com o querer e com a paciência. E se gostar de lá estar pode acontecer que fique mais tempo, até um dia não querer sair. E ficar.
Como nomada já percorri muitos oásis, mas nenhum levou a que ficasse para sempre.
Oxalá, um dia encontre o meu oásis.

05 maio 2007

Frutos

A espera está a dar frutos... A espera, a calma que é necessária para levar a vida para a frente. O saber que existe alguém que gosta, que deseja, que me quer, é um alento, nada mais que isso para o que me resta viver. Não posso projectar no outro, aquilo que não tenho. Não posso deixar que a própria paixão me tire da mente o que é necessário realizar e alcançar. Ter alguém do meu lado, é importante, muito importante, mas não é a base. A base é esquecer o que de mau aconteceu, conseguir ser eu próprio, caminho para que os outros gostem de mim.
E alguém reparou que existo, que sou assim como sou, uma pessoa normal, com problemas como todos nós. E gosta de mim. E eu gosto dela também. E é assim, o futuro será o que fizermos dele. E eu estou a fazer o meu.

24 abril 2007

Beijos Doces

Beijos doces alguém me deu.
A ternura de saber porquê...
E plano como um pássaro.
Olho para baixo e vejo...

Vejo o que quero e o que sou.
Vejo a felicidade ao meu lado.
Mas o medo de cair é tão grande.
E com medo de cair estou a voar.

Voo para ti.
E a minha cabeça está tão mal.
E só me apetece amar-te.
E esquecer o resto que nos comprime.

E ao cair tu agarras-me com as tuas mãos.
Segurando-me junto ao teu peito.
E olho o céu de onde vim e procuro no teu corpo
O sitío de onde vem o bater do teu coração.

18 abril 2007

Cego

Espero por ti e desespero de tanto esperar.
E no esperar da espera, o meu coração fica um mar.
E no mar olho o céu negro de estrelas.
Fico imóvel a sentir que não estás aqui.

Onde estás oh! trova de amor de poesia escrita?
Quem és que não te encontro?
E todas as ilusões que penso não são nada.
A realidade é mais inquietante.

A saudade devora-me.
O mar que eu quero corre noutra direcção.
E nado sozinho no meu rio,
Em busca do meu mar.

Meu amor, estou louco de pensar.
De saber, de sentir, de não saber, de não sentir.
De facto nada sei. Só sei o que o meu mar me diz.
E o meu mar... o meu mar está tão longe...

Escapar, qualquer coisa.

Um destes dias tive um pressentimento. Uma coisa que sinto de vez em quando e que nunca, até agora, consegui explicar a razão pela qual isso acontece. De repente sinto que qualquer coisa vai acontecer, que algo está para me afectar directa ou indirectamente. E não sinto que seja bom ou mau, mas que algo me está a escapar. Disse-o na altura que não gostava de sentir esse sentimento. De facto algo vai acontecer. Essa mudança tem muitos contornos, por vezes difusos. Vários acontecimentos estão a acontecer, não relacionados intimamente, mas que no final me afectam, particularmente. Parte desse sentimento, pode devere-se ao facto de estar imbuido de um espirito aberto e são.
Disse não á muito tempo que este ano vai ser muito importante para mim. O ano do renascimento. Do reencontro com o meu eu, com os outros. O reencontro com o amor... era bom.
Mas neste momento, espero. O tempo é de espera.

Áquela parte...

Neste momento nada me corre bem, tenho muita vontade de mandar todos áquela parte. Todos exepto, claro, aqueles que se preocupam comigo. Todos aqueles que sem interesse de qualquer espécie, privam comigo quer no trabalho quer a nível social. Estou num daqueles dias em que precisava de um ombro amigo, para falar sem parar, desabafar, e falar de tudo e de nada como é costume nestas ocasiões. Mas o escrever aqui também se pode considerar uma terapia. Terapia porque ao escrever, penso nas coisas que me atormentam e de certo modo as relativizo. Digiro os problemas e ponho cada um no seu sítio, tentando fazer com que seja mais fácil lidar com a realidade. Num post que escrevi anteriormente, dizia qualquer coisa como isto, que a realidade somos nós que a fazemos porque também temos o poder de interferir no seu desfecho. Existem condicionantes que nos ultrapassam mas isso, todos nós sabemos, que faz parte da vida.
Uma mulher é o que me faz falta. Mas temos pena, muita pena, não temos. Era bom estar apaixonado por alguém que correspondesse esse sentimento, e que nos fizesse esquecer o mau que nos acontece por vezes. Apaixonado estou, mas pela pessoa errada. E neste momento em que estou prestes a terminar de escrever, o sentimento inicial não desapareceu. Tomei consciência, isso sim, do que quero e porque não o tenho.
Melhores dias virão. Sempre com vontade de melhorar e de alcançar o inatingível.
A felicidade.

15 abril 2007

A pele das tuas mãos

De súbito as casas velhas que vejo,
E a enorme vontade de te ter,
Prefazem dentro de mim um
Sentir daquilo que eu quero de ti.

E a angústia elaborada do que não
É real, como fumo branco, dissipa-se.
E danças aos meus olhos a dança dos pássaros.
Resplandecente, olho para dentro da minha cabeça e vejo-te.

Ébrio em estado sóbrio, a definição pode ser esta.
Como tu me sentes e me deixas amar-te?
Como me tens dentro de ti?
E no deserto, só de areia e eu,
Ando descalço e os meus músculos doem.

A pele das tuas mãos é o fim de tudo.
E o coração que tens doí?
A vontade existe.
Só pela vontade te posso ter.