27 abril 2010
26 abril 2010
Não me apetece
Não me apetece mais. Estou farto. Farto.
As raízes que me prendem. Não me apetece.
Sinto a realidade e não me apetece.
Não quero ter forças e não tenho.
Pairo como uma ave num monte.
Quieto olho o horizonte, em baixo.
Não sei as palavras que penso.
Não as escrevo, nem sinto.
Ai... a forma de te ver. Respirar.
A mão que me segura é suave.
Quase imperceptível ao toque.
Sinto só.
Na minha cabeça o tempo parou.
O meu tempo. Nada é muito pouco.
E o que me dá esse tempo é só
O bem que me fazes. A mim.
19 abril 2010
18 abril 2010
Longe
Longe. Estás longe como o longe é.
Longe de mim, onde as pedras são brancas.
E aqui neste buraco onde estou, a luz é pouca.
Neste sítio a minha presença não existe.
Estou longe. Tão longe como o longe é.
Num sítio onde a luz floresce, onde as pedras são pretas.
A indiferença que o tempo me tem, que o espaço me mata.
Sou uma espécie de ser vivo. Anormalmente vivo.
Nado para não me afogar. Nado sem poder escolher.
Quase que me destempero. Que saio de mim mesmo.
E de fora ficam os órgãos, as veias os músculos.
O coração lateja. O cérebro seca ao vento...
Sinto o meu coração. Está dentro de mim.
E aí onde as pedras são pretas... aí...
O teu coração bate. E eu sinto.
Longe, longe...
15 abril 2010
A imprudente e magnífica arte de viver
Relembro-me de Zampano e Gelsomina. A crueldade e a beleza que a vida tem está ali, naquelas duas personagens do filme de Fellini "La strada". A dureza bruta e cruel de uma relação, sofre alterações, acabando inexplicavelmente no insuspeito desfecho. Relembro-me do pequeno Oskar, que com o seu tambor expressava tudo o que lhe ia na alma. A solidão retratada por Günter Grass, é intemporal, navega até aos dias de hoje.
Relembro personagens fortes e fracos, mas que sentem.
Nos dias de hoje sentir é sinal de fraqueza ou de força. Não é sinal de bondade ou de maldade, de felicidade ou infelicidade, de racionalidade ou emotividade. Tudo se resume a fraqueza e força que se tem, ou não. Não esqueço que a fraqueza e força de hoje está adulterada pela fantástica nova era que se adivinha. O sonho, está erradamente a ser conduzido pela soberba e perfídia do ser humano. O sonho esse não termina. Ele permanece em todos os que não são fracos ou fortes, mas em todos os que sentem.
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