09 junho 2008

Como enterrar o bacalhau

Em primeiro lugar temos que comprar um espécime fresquinho, se bem que salgado também dá. Agarramos no dito e põe-se dentro de um saco plástico para que seja de mais fácil transporte. Coloquem um jornal no saco, de preferência um semanário, sempre tem mais páginas para servir de esquife. O local pode ser na praia, para ficar mais perto dos seus compatriotas, ou até num descampado. Usem a imaginação. Sitíos bem perto de onde vivem, mesmo nas cidades são ideiais para enterrar o bacalhau. Um buraquito das obras dos esgotos ou da tv cabo serve perfeitamente.
Agora vem a ciência do enterro propriamente dito. Sirvam-se do jornal, muito papel é preciso. Podem escolher as notícias de que gostam mais para que a coisa tenha um ar mais pessoal, não tão informal. Envolvam o bacalhau nas páginas do jornal de maneira a que fique bem coberto e sem entradas que possa evidenciar o seu cheiro. Agora com ele bem aconchegado pelo jornal, depositem-no no lugar escolhido. Não deitem fora o defunto, coloquem-no com delicadeza na sua morada final. Se puderem tapar o bacalhau podem e devem tapar. Se não puderem devido a ser um local de obras, rezem para que o bacalhau não seja encontrado por um trabalhador mais curioso. Afastem-se com parcimónia...
Agora sim está enterrado o bacalhau.
Nota: Hoje enterrei o bacalhau. Foi mais forte que eu. Deve ser da primavera...

05 junho 2008

Casacos vermelhos (...)

Casacos vermelhos, pelos
Ombros. De repente tocam
As trombetas para o assalto
Ao tempo que falta.

Inundam as ruas brancas
Da pedra. Correm sem querer
para um destino inconsciente.
Correm aos magotes.

Tropeçam e caem.
Os corpos a beijar o chão.
E em esforço levantam-se
E recomeçam.

Aos magotes pelas ruas da
Minha cidade, as pessoas
Correm sem saber para onde.
Parece que a guerra começou.

Parece que o mundo acabou.
Mas não se trata disso. Trata-se
Sim, de um simples minuto.
Um minuto na vida de alguém.

Pode ser a tua vida. Pode ser
A minha vida. A vida dela, ou
A vida dele. A nossa vida.
E qualquer coisa de cinematográfico
E teatral existe nas pessoas que correm pela cidade.

Representamos um papel. Significamos algo.
Queremos parecer quem pensamos que somos.
Mas de facto somos o que não sabemos que somos,
E o que somos realmente. Esse todo único e indivisível.

02 junho 2008

Obrigado TSF

Não é meu costume mas tem que ser. Não sei se por coincidência ou não, a TSF hoje está a passar música que me é familiar. Tenho no meu vodpod aqui ao lado, esta coisa onde estão os vídeos. Algumas músicas estão a passar agora. Bom faço questão de agradecer! Obrigado TSF! Coincidência ou não.
Nota: O programa tem por nome: A Idade da Inocência.

Pentium

De facto este fim de semana foi tempo de... PENTIUM!
Dá menos trabalho, é mais limpo, económico e dá um ar lavadinho...
Para quem ainda não experimentou, aqui fica o recado. Tipo... pentium e tal... A Sinead O' Connor que o diga! Acho que inventei uma expressão nova... as pessoas tipo... Pentium! E não, não é um Fiat Tipo com "intel inside". Alguém tipo pentium é tipo... alguém que tem o coração partido ( dual core inside) e que acelera e desacelera rapidamente. E é inteligente, esta parte é presunção minha, modestia á parte. Ah...! e azul!
Tu és tipo... Pentium, não és?! Ou então... Estás na tua fase Pentium? Atenção aos upgrades.
Nota: Cabelo com mais de um centimetro faz com que se perca a designação e se passe a chamar a pessoa em questão de... Normal!

Ás vezes caminho a pé para casa

Ás vezes caminho a pé para casa. Sabe bem caminhar e perder tempo a pensar. E não, não se trata de organizar ideias. Sinto e quero sentir mais. O caminhar com um cigarro na mão dá-me essa liberdade. Perder tempo para sentir. Só sentir. Sentir o que sou para os outros. E nada melhor do que imaginar uma situação extrema, para conseguir imaginar as reacções dos outros. E aí... aí não me engano. Talvez seja um exercício egoista. Sei assim o que poderiam os outros ver que sou. E de facto sei o que sou.
Sei perfeitamente o caminho, as linhas que delimitam as bermas. Sei-o pelo que sinto. Pelo que sei e soube. Tomara saber amanhã.

Qualquer rosa com espinhos

Qualquer rosa com espinhos.
Uma boca como a tua.
Um coração como o teu.
Um abraço meu.

A indefinição que sinto.
Reprimo o coração.
Ponho no alto a razão.
Distancio-me de ti.

E para sempre sei
Que o desejo e a mentira
De te ter, não é mais
Do que um sonho.

Um pôr do sol que não existe.
E assim triste e alegre,
Fico de pé, ao vento
A olhar o nada que és.

Puxa-me uma força

Puxa-me uma força. Pairam sobre mim sentidos. Cheiros. Energias. Talves seja intervenção divina ou só mesmo a minha cabeça a destrinçar e a etiquetar sensações. Talvez seja só o aproximar do calor. Da luz solar que tanto aprecio. E do mar. De facto sempre gostei do verão. É uma época que me altera o humor. Talvez por isso veja, e seja visto de maneira diferente.
Sinto que alguma coisa aconteceu. Ou várias. Em quem me é próximo, ou mesmo em mim. Só que ainda não sei o que... Sei que posso nunca saber. Mas o facto é que sinto. Só espero que se de facto alguma mudança se deu ou dará, seja benefica. Que seja inócua.