18 março 2007

Onde estás que não te vejo?

Onde estás que não te vejo?
Nas ondas navegas sem mim.
Pelo soalho nús os teus pés caminham
Sem mim, para a tua cama.

Qualquer dia o sol vai aparecer depois de um acordar matinal. Os raios de luz vão irradiar o quarto.
E iremos despertar do sono plácido e escuro de uma noite fria.

Onde estás tu que não te vejo?
E bebes água num copo de vidro, e matas a sede.
Penteias o cabelo com uma escova.
E olhas o teu rosto ao espelho.

Olhas o passeio e os teus pés que caminham.
Sentes o desconforto de viver. E sabes que te amo.
E olhas o céu e não pensas em nada.
E só queres viver.

Qualquer dia vais ficar parada a pensar. E o que pensares vai ser só teu.
E vais dormir numa noite quente de verão. E vais pensar que era bom ser Inverno.

O início do resto

Será que vou ser feliz? Está para breve o fim de uma união que nós quisemos. Um fim que nós também quisemos. Podia falar de tudo o que me aconteceu de mau, mas de todo o tempo que vivi contigo, recordo agora os bons momentos. A tua meiguice, a tua pele, o teu cheiro, o amor que me deste. Recordo, porque já é passado, já não pertence a minha realidade actual. Decidi que não haveria retrocesso possível neste passo doloroso e libertador. Estou convencido de que passei ao lado de um grande amor. Mas o destino não quis que o fosses. Ainda assim te quero bem, prezo a tua pessoa. Somos falíveis, erramos muitas vezes. Mas se queremos viver, temos que aprender com eles. Eu acho que estou sempre a aprender, e quero pensar que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje.
Tudo, aquilo que és e que foste eu guardarei para sempre no meu coração.

15 março 2007

Sou muito estúpido

Sabes menina, quero esquecer que gosto de ti. Quero apagar o sentimento que sinto. O tempo está a fazer o que lhe compete. E agora neste momento, já não sei se te amo. Ou melhor quero pensar que não te amo. Estou farto, cansado. Acho que não queres que te ame. Que me aproxime de ti de um modo tão... físico. Mas podemos amar alguém sem ter no pensamento o relacionamento físico? Penso que não. Penso que amar é psiquico e físico ao mesmo tempo. E se conseguir amar sem ter o teu corpo, é porque alguma coisa mudou em mim. Há pouco tempo alguém me perguntou, como era eu no amor? Uma pergunta de tão ampla resposta e de tamanha dificuldade na resposta, que respondi simplesmente: Sou muito estúpido. À primeira vista parece uma resposta tonta, mas que se adequa a realidade.
Estou a ouvir agora na rádio, uma entrevista do António Lobo Antunes, que entre outras coisas disse que não tinha tempo para ter depressões, não tem tempo, não tem tempo para pensar, para ter esse luxo. Morro agora para não morrer depois, outra frase de que gostei.
Sabes menina, quero esquecer que gosto de ti.

09 março 2007

Queria tanta coisa que não é nehuma

Meu amor, minha menina.
Não sei o que escrever aqui. Queria tanto dizer-te. Queria ter coragem para te pedir para irmos ver o mar. E queria que sentisses o que eu sinto. Queria estar contigo, agarrado e passar as minhas mãos pelo teu corpo e beijar-te, deitados. E queria tanto que isto fosse possível. Queria tanta coisa que não é nehuma. Ser louco o suficiente para agarrar em ti e sair daqui e esquecer quem somos. E sermos só nós. E de um só folego viver esses momentos, essas horas, esses tempos. E tenho raiva de não o poder fazer. Queria tanto que só me apetece partir coisas para descarregar esse sentimento. Sorrio agora. Que coisa estúpida, meu amor. Desejo o teu corpo, a tua pele, o teu cheiro, a tua visão nua diante de mim. Despojada de tudo, só tu e eu, olhando-nos mutuamente e querendo sentir o corpo um do outro.
Queria sentir, a unidade. Queria que fossemos um só. Quero.

08 março 2007

As mãos

Quero falar contigo.
Tu queres falar comigo.
Imagino.
Perto do mar.

E olhamos o horizonte dele.
E sentimos o vento, lado a lado.
E pensamos nas palavras.
E os olhos olham-se.

Choro. Abraçado a ti.
Palavras carinhosas saem da tua boca.
As tuas mãos secam as minhas lágrimas.
Sinto. Sentes.
Choras.

E naquele instante o mar revolta-se contra as pedras,
começando a salpicar as nossas caras com a sua água, salgada.
E as mãos agarram.
E sabemos.

04 março 2007

03 março 2007

Eu não sei como é

Diz-me porque não consigo deixar de pensar em ti? Porque sabendo o que sei, que é impossível ter o ter amor, não consigo deixar de te querer... Será que te quero só pelo desejo de uma noite? Acho que seria pouco e ao mesmo tempo muito. E escrevo com vontade de apagar o que escrevo. Para que o tempo, a noite e o frio façam desaparecer este meu desejo de ti. Tens mais em ti do que eu consigo ver. És mais em mim e eu não consigo perceber. Tens-me em ti de um modo que eu não sei como é. Sinto que me queres muito bem. Só isso eu sei. Se me desejas eu não sei.
As nossas vidas cruzaram-se de um modo tão bonito, parece que cheira a azul, a mar. E apareceu agora por ti, em ti, em mim. E como vai ser daqui em diante? Pergunto-me todos os dias. Para ti não deve ser muito difícil. Para mim é mais, por saber que não te tenho. Que vou ter que te esquecer, de apagar o amor, o desejo. Mas sei que és especial. Sei que os caminhos irão descruzar-se e cada um irá viver o que tem para viver, um sem o outro. Não quero, odeio pensar nisso, mas acho que vai ser assim. Eu não posso lutar. Estou desarmado desde o início. E desarmado vou estar, até que tudo se dilua num mar de espuma branca.