26 dezembro 2007

Momentum

Que toda a infinita sabedoria dos Anjos faça cair sobre nós a Luz.
Que toda a beleza do Universo apague o horror.
Que toda a força esquecida surja entre nós.
Que o caminho seja seguro e iluminado.

Trovões do Olimpo caem.
Ferozes lutas.
Pelejas entre os Maiores.
E da água como espelho veremos o céu.

Tarda o tempo.
Acalma-se o corpo.
O sangue é um só corpo,
Em ideias realizado.

E será trazida pela Graça
A ajuda que esperamos.
Tomara sabermos escrever
Com a pena que nos sobra.

A minha pele, o exterior

A minha pele, o exterior
Do meu corpo, é fina.
Não sei como não rebenta,
Com todas as convulções internas que sinto.

Não sei como não se desfaz simlesmente,
Como a cinza de um cigarro que cai no chão.
Está colada à minha carne.
É infinitamente estúpida a minha pele.

Incorre em barragem de mim, do meu sangue.
Um vedante que já trazia de nascença.
Um selo de lacre que a carta fecha.
Esta pele que me deixa inteiro.

A pele deixa-me não fluir pelo chão.
Não me esvair e partir.
A minha pele é estanque.
Ela tem um sentir que me transcende.

24 dezembro 2007

Pedrinha no sapato

Sol. Uma manhã de fim de semana e uma claridade fria estampava-se nas paredes dos prédios que rodeavam o jardim. Árvores. Relva. O ar estava limpido e puro como a água fria da nascente. No jardim poucas pessoas, apenas se conseguia escutar o som do vento a bater nas árvores e os pássaros que voavam por entre as árvores.
Num banco do jardim, perto da estátua de Cronos, estava deitado um homem. Vestia fato completo, sapatos pretos e camisa preta com gravata preta. Por cim ado seu corpo, que o cobria, uma gabardina cinzenta. No chão o chapéu que caira durante o príncipio do sono. Os raios de sol lentamente aproximam-se da sua cara. Com o corpo em metade coberto pela luz solar, o homem sem abrir os olhos sente que já é dia e começa a sentir o seu corpo imóvel e gelado. Do acto de pensar levantar-se e da passagem ao mesmo não levou mais do que menos de trinta segundos. Sentou-se. Colocou os óculos e viu onde tinha pasado a noite. O jardim era o mesmo mas com sol. Levanta-se e veste a gabardina. Sente os pés frios colados aos sapatos italianos que lhe estavam apertados.
Sede. Procurava com os olhos, sondava o jardim na esperança de encontrar um bebedouro para se saciar. Boca seca, andar languido e com os olhos semi abertos, vai tentar descobrir o caminho para sair do jardim. Dinheiro não era problema, a carteira tinha duas notas de vinte. E lá vai ele, mãos nos bolsos da gabardine para escapar ao frio que o apanhava.
Até agora não encontrara ninguém na sua caminhada. Sozinho demanda o caminho para sair de onde está e chegar ao destino, a saída. Após longo tempo passado, dá de caras com um portão portentoso. Aberto. A saída.
Resolve então ir ao café mais próximo para tomar o pequeno almoço e ler o jornal do dia. Um galão com dois pacotes de açucar e uma torrada mista acompanhadas pelas notícias matutinas, fazem-lhe companhia durante meia hora. Ainda sentado no café sente que têm uma pedra no sapato, uma pedrinha do jardim. Vai à casa de banho resolver o problema.
Passando diante do portão do jardim repara que no alto do mesmo se encontra a frase: "E, Por Aqui Passas". Realmente a frase fazia todo o sentindo, embora um tanto ou quanto básica na sua percepção. Claro se é um portão as pessoas tem que passar por ali... pensou o homem. Mas ele não tinha entrado no jardim por aquele portão, na noite anterior entrara por um outro portão. E sendo curioso por natureza resolve indagar a questão.
Depois de caminhar no labirinto dos caminhos do jardim, encontra o portão que procurava. No alto do portão estava a frase: " As Pedras No Caminho Falta Te Fazem".
(...)
De facto não tinha pensado na hipótese de ter entrado pela saída do jardim na noite anterior, pensou. Tudo tem um príncipio e um fim, a parte de cima e a parte de baixo. Ou seja tudo tem o seu contrário. E pelo meio muitas pedrinhas vou ter que tirar do meu sapato.
Virou costas, um gato olhava para ele pela janela de um rés-do-chão do prédio em frente ao portão. Olhou para o céu e viu a lua. A lua que aparece por vezes ainda quando há sol. Tira um cigarro da sua cigarreira, fuma um, enquanto se afasta do jardim onde dormira.
De repente lembra-se da pedrinha que tirara do sapato. Vai com a mão ao bolso interior do casaco e agarra-a.

23 dezembro 2007

Parece

Parece que está na altura da negação como já aconteceu no passado. Negar que o que sinto por ti não é nada mais do que um sentimento que não é amor. Apenas um desejo carnal e egoísta da minha parte. Nunca sei como ultrapassar a perda de alguém que amo, por quem tenho paixão, desejo. Por outro lado sinto-me liberto das amarras dessa paixão, que não me deixavam largar do cais de onde estava. Navego com a terra à vista com medo do alto mar. Navego com os olhos postos nos cais onde já estive ancorado. Há sempre tempo para largar o leme e deixar-me ir para o largo e navegar em alto mar. Esse tempo irá chegar como sempre chegou. Agora é tempo de me recompor, de olhar em volta e acalmar o sofrimento que existe.

19 dezembro 2007

La sua faccia


Por ti

Por ti
Subi uma montanha.
Deste-me a visão clara do chão.
Estou no seu cume. Vejo o que me deste
E o que me dás.

Só me resta aguardar a queda.
Enquanto isso, procuro respirar o ar puro.
Olhar o horizonte que me ajudaste a ver.
Temos o que construimos.

Espero ter força para continuar
A tarefa de construtor.
Para ti um ramo de rosas puras.
De magia seguras.

Estamos juntos. Sabemos o que
Somos.
E sem o materialismo que queria,
Tenho-te assim...

Protecção. Afastamento.

Protecção. Afastamento.
Medo do que sabemos.
Estás cada vez mais retraída.
Como uma menina perdida.

Eu sobro em divagações,
Pensativo e já naturalmente
Desléxico nos sentimentos,
Sosobro nas atitudes.

Disfuncional e racional,
Tento catapultar o que sinto
Para um quadro racionalizador
Do real. Meço forças.

Interiormente. Tudo parece claro.
Já não te amo como amava.
Amo-te como te amo.
Sem te amar de verdade.

17 dezembro 2007

Tomara eu saber amar

Tomara eu saber amar. Tomara eu saber o que é o amor. Caio dia a dia no poço da ilusão de que a vida tem um sentido. Não ter sentido é o sentido que retiro dela. As lembranças que tenho são fugazes e trémulas. O que sentia ontem já não é o que sinto hoje. Todos os meus amores se desvanecem na memória pequena. Tenho essas memórias nos meus braços, embalando-as para que adormeçam silenciosamente, sem sobressaltos. Não quero reviver com tristeza as memórias do que passou. E com tantas mulheres que me ficam na memória pequena, nenhuma é neste momento o cálice por onde bebo.
Sinto desejo, talvez até amor. Mas nenhuma está a minha frente. Nenhuma pode dizer que me tem. E não as tenho tambem. Vivo com elas uma vida de memórias. As memórias do que se passou entre nós.
Agora estou sozinho. Recordo os meus amores e as paixões. Relembro as emoções. Só isso me resta agora.

16 dezembro 2007

Uma bomba faz tique-taque

Uma bomba faz tique-taque.
Está dentro de mim.
Tique-taque, tique-taque...
Tique-taque, tique-taque.

Porque a puseste dentro de mim?
Como a desligo? Como?
E se a desligar irei morrer?
Ou irei renascer novamente?

Ouves o barulho dentro de mim?
Tique-taque, tique-taque.
Não meço a realidade do som.
Não me enfureço com a sua presença.

Está comigo esse som.
Essa coisa que se chama paixão.
Tenho uma bomba dentro de mim.
Tique-taque, tique-taque.

12 dezembro 2007

Tudo o que penso não escrevo

Tudo o que penso não escrevo.
Não tem espaço. É como o aço,
Pesado, simples, real.
Não cabe no branco do papel.

Caberá nas páginas de um livro
Que não irá ser escrito.
Cabe no meu pensamento
E no teu.

E as palavras que já sabemos,
Os sentimentos, as razões, as evocações.
Tudo são palavras que não escrevo.
Mas que sinto. Que vivo.

Sem palavras para escrever,
Só me resta respirar o ar.
Que tem o teu cheiro.
E qualquer coisa de belo.

09 dezembro 2007

Mais ou menos

Mais ou menos.
Estou mais ou menos.
Como um cão deitado sobre um tapete.
Diante da porta que guarda.

Deito o dente de fora para quem passa.
E rosno um rosnar já conhecido.
Como se estivesse de mau humor
Por estar com uma valente gripe.

E este mau humor, esta cobarde atitude
De me tratar parece ser o que me resta.
Qualquer palavra não tem sentido agora.
Parece que o resto não convence.

Passo a mão pela minha barba.
Desmazelo. E quero não querer.
A saudade e a esperança unem-se.
E deixo de querer.

05 dezembro 2007

Message in a botlle to all visitors

Well this is a message that i want to leave for all of u who can't read portuguese. This blog is a kind of trunk where i wright some poems and it's also where i can reflect about my simple life.
Beware the videoclips that are offten added to my vodpod... and don't forget to clik on the last-fm radio...
Enjoy the blog, and if u have any question just e-mail me.
Thank's!

04 dezembro 2007

Sobram as horas...

Sobram as horas, as demoras,
Sobram os desencontros.
Sobram também os feitos,
Os vicíos e as memórias.

Demoram-se em voos rasantes os passáros,
Que ondulantes navegam junto as nuvens.
Entediados do seu vôo abrem os olhos de tédio.
Gritam de pavor de voar, o vôo delirante.

E sobram-lhes as horas e o resto.
Atávicos e loucos em bandos,
Voam para um destino inexistente.
Um destino que só o será, que não o é.

Em pânico olham para baixo.
Com todo o tempo de voar,
Permanecem imcompreensivelmente
De asas abertas a planar. A mais.

Os dias cinzentos de nada

Os dias cinzentos de nada.
Tudo é efémero.
Tudo é pouco,
Muito pouco.

E esta consciência calma.
Esta percepção implicativa
Mante-me acordado diariamente.
Faz-me sentir ainda o ar.

Tudo parece menos.
Nem os olhos parecem os mesmos.
Vejo tudo com outro olhar.
Olho mais devagar.

Passo diante de nós e vejo-nos
diferentes. Duas espécies diferentes.
E tudo parece menos, tudo é o resto.
Tudo é só o que tenho.

03 dezembro 2007

Adormeceste...

Adormeceste...
Com os cobertores a taparem a tua cara.
Com o frio a rondar a tua cama.
Adormeceste mais ou menos.

Deitaste a cabeça na almofada,
Puseste a mão por baixo dela,
E encolheste as pernas.
Pensavas em mim?

Adormeceste um sono claro.
Um sono raso.
E o teu pensamento vagueou
Por entre as límpidas memórias de nós.

Vou adormecer também, mais ou menos.
Tenho-te agora. Tens os olhos fechados.
Dormes imóvel. Sonhas.
Adormeceste.

25 novembro 2007

Aquecedor

Existem diversos tipos de aquecedores no mercado. A óleo, a gás, a electrecidade, lareiras, etc. Todos eles têm um objectivo, aquecer o ar para que este suba a temperatura de uma determinada área. Normalmente uma sala ou um quarto. Eu não tenho. Não, não sou masoquista. Mas não me parece bem tirar o prazer de sentir o frio da estação. Não me parece bem tentar disfarçar o frio que tenho em mim, de uma forma que não é natural. Se alguma coisa tivesse que escolher para me tirar o frio, escolhia-te a ti. Sim a ti. A melhor forma e mais antiga de aquecimento que existe. Só tu me podes aquecer sem sentir que é forçado. O meu corpo não quer respirar o ar pesado e quente fabricado artificialmente. O meu corpo quer sentir o calor provocado pelo teu corpo. Naturalmente, estou gelado de frio!

22 novembro 2007

Homem ao mar!

Tenho frio. As calças que tenho nas pernas repassam o frio do tempo.
Tenho frio e estou sozinho. Estou como qualquer coisa sem coisa alguma por perto.
Imagino uma árvore ou uma pedra num monte deserto. Imagino um urso polar a caminhar sobre uma enorme faixa de gelo, sem saber para onde ir.
Construo imagens do meu corpo gelado e do coração adormecido pelas fridas infigidas. Ele está sem saber o que sentir. O meu coração têm medo de se ferir.
Ou será a cabeça que ao reflectir me prega ao chão com prego tamanho que me deixa parado, sem querer desejar, com medo de amar...
O meu coração parece anestesiado por um lado e por outro diz-me que não quer parar de viver.
(...) Imagino uma menina. Tu. Os teus olhos são lindos. Sorrio. De ti guardei o teu olhar e o carinho que me deste. Tudo o mais que me resta é admirar a beleza que tens em ti. O todo que és.(...)
Homem ao mar! Homem ao mar! Atira-me uma bóia para não me afogar!
Agora imagina que está aqui escrita uma daquelas frases famosas que todos nos lembramos e que alguns gostam de citar... Imagina a tua preferida...
Agora que já pensaste e a disseste entre dentes, nada mais tenho a dizer...

21 novembro 2007

A Causa das Coisas

De repente lembrei-me de um livro que me deu muito prazer ler. A Causa das Coisas do Miguel Esteves Cardoso. Já o tenho a muito tempo, e sempre que me quero rir um pouco lá vou eu ao calhas ler qualquer coisa. Este livro surge na sequência da colaboração do escritor/jornalista com um conhecido jornal nacional, de que agora não me recordo o nome. São diversos artigos muito fáceis de ler e que com mordaz humor e crítica, falam de coisas que nos são próximas, ou foram ao tempo. Uma leitura atenta faz-nos recordar e aprender como era o pensamento da sociedade dos anos 80.
Fica então a recomendação.
Boa leitura.
P.S.- O jornal é o Expresso

18 novembro 2007

Ansiando por um decote...

Parece que vem aí chuva, alguns podem dizer que já não era sem tempo. Eu digo que me atrapalha este tempo chuvoso. Nunca gostei muito dele. As meninas e senhoras andam com mais roupa, sem decote o que é de facto uma grande chatice. Na minha opinião o verão e o tempo solarengo não deviam ser as únicas estações do ano em que os decotes tem oportunidade de se mostrar. Para onde olha um homem quando não há decotes para olhar? Talvez para o mesmo sítio, com a esperança de vislumbrar um botão aberto ou a forma de um seio cheio de frio. Se olhar fixamente para um casaco de ganga será que elas percebem que o que quero mesmo é olhar para os seios que estão cobertos e recobertos por tamanha imensidão de agasalhos? Não tendo visão raio x temo que esta será uma demanda sem sucesso visível... Bom mas nada melhor que o ar condicionado para que este problema se resolva de uma penada. Liga-se e já está. Tiramos o que está a mais e assim ficamos mais a vontade para mostrar o que queremos que o sexo oposto veja. Só espero que o ar condicionado nunca se avarie! Se isso acontecer lá vou ter que andar agasalhado, e possivelmente constipado.
Ansiando por um decote... até lá com este tempo só dá mesmo para imaginar o que a volumetria nos reserva.

A razão de ser

Parece que desde cedo sabia que o meu destino estva traçado. Não o digo só por dizer, digo-o porque há coisas que sentimos desde que nascemos. O sentimento de sentirmos que estamos neste mundo por alguma razão, está presente cada vez mais. Não sei se acreditarmos numa coisa faz com que ela se concretize. Talvez sim.
Todas as minhas relações sentimentais, pessoais e sociais levam um rumo que não estaria traçado. Parece que subconscientemente sei o que vai acontecer.
Sinto-me como se estivesse em falta qualquer coisa em mim que ainda não tenho ou que ainda não aconteceu. A fecilicidade ou simplemesmente o saber que estou no caminho certo. Esse caminho tem várias formas de ser alcançado, e assim continuo a procura dessas formas.
Uma coisa é certa, não devemos julgar a vida como grantida. Devemos sim fazer o melhor que sabemos para atingir a plena satisfação do que nós queremos.
É certo que agora me sinto como me sentia quando tinha dez anos ou menos. Um sentimento de que tenho muito para aprender e que se calhar nunca o vou deixar de sentir. Espero ser merecedor de aprender o que tiver a vida para me ensinar.

15 novembro 2007

Aos meus amores...

A subida começou. Lá vou eu tentar subir mais um degrau dos muitos que já subi na minha vida. Ou então, usando uma outra imagem, a subida da montanha começou de novo.
Estou tremendamente calmo. Não penso muito nas coisas. Tudo o que quero é paz e sossego. E claro atingir o alto das várias escadas que tento subir. Não deve ser difícil para quem ler o blog saber quais são...
Há coisas que não consigo mudar em mim. Vou tentar dosear a dose de bondade, e quem sabe de ingenuidade, e da-las somente a quem me apetecer. Claro que há sempre os que são apanhados por esta vaga do meu eu inconscientemente, e que não escolho agora. A escolha é feita no momento e não sou capaz de deixar de gostar dessas pessoas. É com essas que me preocupo e é com essas que vivo, nem que seja só na memória e no pensamento.
Relembrando um um assunto a que já me referi anteriormente, a sensação sentida à meses atrás de que alguma coisa ia mudar na minha vida, tornou-se realidade. Esta sensação que descrevi anteriormente, iria afectar-me de um modo que não tinha a certeza de como ia ser. Neste momento já o sei.
Interessante que o modo de como as coisas tomam um rumo que não conhecemos mas que sentimos ser natural. E natural é também o que estou a sentir neste momento. Uma calma que me está a possuir o cerebro e o corpo. E é uma calma de que estou a precisar de sentir. Um equilibrio que estou a achar natural como respirar. Preciso de viver sem pressas, sem tentar forçar a felicidade, sem forçar a vida.
Aos meus amores...

11 novembro 2007

Uma linha branca da côr das nuvens

Uma linha branca da côr das nuvens.
Uma folha preta da côr da morte.
Um pensamento amarelo
Da côr do teu cabelo.

Uma chama vermelha que se reflecte no espelho.
O teu olhar ansioso de um amor verdadeiro.
A ânsia do desejar o teu corpo.
De sugar os teus seios.

De sentir o teu meio.
Quente. Húmido.
Um lençol azul como a água do mar.
O termos o que queremos.

Fogem pela escrita as palavras que
Te quero dizer.
A côr que não existe faz-te imaginar-me.
E fechas os olhos para que doa menos.

Fetiche

Fetiche.
Palavra que marca a diferença.
Que rouba a presença do real.
Que satisfaz o mental.

Pinto a imaginação com ela.
Rapto a moral social.
Ponho as algemas nas tuas mãos.
Algemo-te o coração.

Indica-me o norte.
Faz-me a corte.
Respira sobre mim.
Pesa sobre mim.

Morde-me. Faz-me não querer.
Faz-me querer.
Põe o teu corpo à venda.
Vende-o a mim.

09 novembro 2007

O mais difícil é recomeçar...

O mais difícil é recomeçar... Depois de algum tempo afastado da escrita parece-me chegado o momento certo para recomeçar a escrever. E escrevo sem pressão, como não podia deixar de ser. Escrevo porque acho que devo e quero escrever. O querer e o dever fazem-me relembrar o que escrevi anteriormente. Estou calmo o suficiente para recomeçar a aventura de escrever nem que seja só qualquer coisa, mas recomeçar naturalmente.
Não mais falamos, estamos distantes, cada vez mais. Sinto a tua falta, mas acho que não devo tomar a iniciativa de te procurar. Embora seja difícil resistir à tentação. Todos os dias que se passaram pensei em ti, e continuo a pensar. O que estás a fazer, o que tens feito, se está tudo bem... são perguntas a que não tenho resposta. Se gostas de mim, se sentes a minha falta, se ainda me desejas, são as outras perguntas que estão implicitas nas primeiras. Pois muitas interrogações e nenhuma resposta. Não espero nada. Só tenho o presente como coisa minha. Como a realidade do que é meu. Tu fazes parte desta realidade, mas que se alterou nas últimas semanas. De facto não podemos ter sempre o que queremos. Um facto comprovado.
Embora este post pareça lúcido e racional, a realidade de mim neste momento não o é. O esforço para o ser mantem-se...

01 novembro 2007

Constipado e doente

Estou constipadissímo. É verdade passei o dia de cama.
Estou como não gosto de estar. Doente. Parece um contra senso não gostar de estar doente, já que a minha tendência para sofrer de amor é parecida. Mas nada se compara a ter as vias respiratórias entupidas, a cabeça a latejar e uma irritabilidade de último grau. Não me digam nada quando estou doente. Respondo torto e com sorte não lanço as sete pedras que tenho na mão.
É nestas alturas que fico mais sensível e cada vez mais racional. Não tenho paciência para aturar certas coisas. Não quero aturar birras infantis, não tenho paciência para conversas de cinco escudos. Não me atrevo a procurar ninguém. Tenho ainda uma restea de orgulho próprio que não me deixa falar com quem quero falar. Complicada eu acho esta última parte.
Só sei que não me apetece tomar a iniciativa de procurar alguém. De dar a cara. Já estou farto de o fazer. Se alguém sentir a minha falta concerteza que me irá procurar. Não posso estar sempre a pensar que se ficar imóvel não tenho o que quero... E os outros? Sim, os outros. Onde está quem gosta de mim e não me procura? Se calhar sou só eu que gosto e mais nada.
Vou continuar doente e irritadiço. Já tomei dois ilvicos hoje, para ver se a constipação fica por aqui. Só quero ver quando deixar de estar doente, se vou continuar a procurar quem não me procura... Era bom que não.

29 outubro 2007

Embalo-me

Embalo-me. Num cenário morno
Tento saber o que sinto.
Escondo a dor de mim.
Sinto o frio do Outono.

A solidão assina por baixo.
Como se perdido numa praia
Estivesse de costas para o sol.
E caminho...

Por momentos não é bom pensar.
É sentir a incerteza do futuro.
Pensar o quê?
Sentir a dor... O amor que não tenho.

Hoje o amor que não tenho é real.
Não tenho quem me ame. E não amo ninguém.
Tenho o desejo de ter.
De amar ninguém.

28 outubro 2007

Johnny Cash

Para muitos um dos grandes compositores de música country norte americana. Para muitos outros um músico que trilhou o seu caminho como quis e onde quis, e que marcou várias gerações. Primou pela originalidade e por uma certa irreverência para com certos valores instituidos na sociedade norte americana. Dizia que se vestia de preto para lembrar os que não tinham nada, os esquecidos, os presos, os marginais que a sociedade relegava para segundo plano. Um exemplo de dignidade e honestidade, facto que se comprova nas últimas músicas que gravou pouco tempo antes de morrer. Chegou a intrepretar canções de bandas conhecidas como por exemplo "Personal Jesus" dos Depeche Mode ou "One" dos U2.
Já com a sua doença em estado avançado, continuou sempre a gravar, até não poder mais.
Deixo aqui a minha homenagem a Johnny Cash . Escutem com atenção...

Regina Spector

Regina Spector. Conhecem? Não?! Quem não conhece que faça por conhecer.
Uma voz sensual mas ao mesmo tempo intrigante e rebelde. Comprei o CD finalmente! Cada faixa uma descoberta que os sentidos aplaudem. Todas as letras foram escritas por ela. O nome do álbum "Begin to Hope".
Fica aqui um pedaço dele...
Boa múscia.

20 outubro 2007

Fernando Pessoa - Biografia

Fernando Pessoa, um dos expoentes máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».
Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.
A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Viveu primeiro com uma tia, na rua de S. Bento e depois com a avó paterna, na Rua da Bela Vista à Lapa. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.
Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sendo que as suas participações literárias se espalhavam por inúmeras publicações, das quais se destacam: Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.
Teve uma paixão confessa - Ophélia Queirós - com a qual manteve uma relação muitas das vezes distante, se bem que intensa. Mas foi talvez Ophélia a única a conhecer-lhe o lado menos introspectivo e melancólico.
O seu percurso intelectual dificilmente se descreve em poucas linhas. É sobretudo o relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino mas sempre desconhecido. Essa procura efectuou-a Pessoa com recurso a todas as armas - metafísicas, religiosas, racionalistas - mas sem ter chegado a uma conclusão definitiva, enfim exclamando que todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias).
Os últimos anos são vividos em angústia. Os seus projectos intelectuais não se realizam plenamente, nem sequer parcialmente. Talvez os seus objectivos fossem à partida demasiado elevados... Certo é que esta falta de resultados concretos o deita a um desespero cada vez mais profundo. Foi um profeta que esperava a realização da sua profecia, mas que morreu sem ver sequer o principio da sua realização.
Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Uma pequena procissão funerária levou o corpo a enterrar no Cemitério dos Prazeres. Em 1988, por ocasião do centenário do seu nascimento, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.
in "O Major Reformado"

Vou escrever sobre ti

Vou escrever sobre ti. E sobre mim tambem. Não tenho mais nada de interessante para escrever, contudo apetece-me tanto escrever.
Sou casmurro que nem uma porta. Pareço um burro de palas nos olhos. Só te vejo a ti. O porquê fica para segundas núpcias, se existirem. Estava eu a dizer que só te vejo a ti. É verdade. Neste momento não há ninguém que possa ocupar o teu lugar. Sei no entanto que podes começar a qualquer altura uma relação com outra pessoa, e aí fico apeado. Talvez tente entender o que não tenha que ser entendido. Talvez tenha que ficar parado a espera de um sinal teu, se o quiseres dar. Peco muitas vezes por não saber esperar. Peco por ser demasiado presente, por não te dar espaço para respirares, alimentando a minha parte egoísta. Será que tens que sentir a minha falta? Tenho que estar ausente para me quereres presente?
Sou um ser de impulsos fortes. Neste momento só me apetece estar distante de ti. O que poderá não ser aquilo que deveria fazer. Amanhã talvez mude de opinião e não pense desta forma, o que não será de estranhar devido ao elevado grau de carência afectiva.
Penso tanta coisa ao mesmo tempo que nem me atrevo a escrever sobre isso. Estou aqui e tu estás ai. Simples como água. Eu quando tiver vontade de falar contigo, o que será sempre natural devido ao desejo que me provocas, falarei. Neste momento quero deixar que sejas tu, se quiseres a procurar-me. Se calhar cansei-me de tentar uma aproximação errada. Talvez seja bom para ti sentires a falta. Talvez precises de sentir que não estou presente constantemente. Sei que nos desejamos mutuamente. Pelo menos quando estamos juntos. Depois desta última frase só tenho vontade de rir...

18 outubro 2007

Pesa-me este ser. Este vácuo de nada.

Pesa-me este ser. Este vácuo de nada.
Um sabor a ar e vento que tenho na boca.
Uma angústia de não ter ninguém.
Racionalizo quem não tenho.

Sempre o amor. Este vício em mim.
Esta coisa de querer uma mulher.
Ou várias. Sinto-me livre nesta prisão.
Respiro o ar de mim mesmo.

Levem-me daqui! Tirem-me deste sítio...
Arranquem-me desta cadeira e deitem-me na cama.
Os vossos beijos serão soro.
Os carinhos serão oxigénio.

Onde estão os meus remédios?
Porque estão fechadas as farmácias?
Estou doente.
Quem me cura?

Por entre palavras que são aspirinas,
Sei que este estado é passageiro de mim.
Um estado de alma. Uma referência.
Inocente e sem culpa formada, escrevo.

Quem me diz onde vou parar?
Todas as respostas serão bem vindas.
Escrevam-me cartas. Façam desenhos.
Não tenho envelopes RSF.

Coloquem o selo.
A morada é o Paraíso.
Tragam-me a beleza de um olhar.
Um abraço de amor.

Sinto-me escorraçado da vida.
Perdido por ela, enquanto a vivo.
Não tenho mais nada para dizer.
Nada é nada.

16 outubro 2007

O meu ser continua a procura

O meu ser continua a procura. Não sei bem do quê, mas continua. Amores, desamores, desilusões, ilusões, paixões e dor. Tudo isto fez parte da minha vida desde que comecei a escrever o blog. Penso que posso fazer neste momento um balanço desapaixonado e racional desta caminhada de dez meses.
Não escrevo para ninguém a não ser eu. Escrevo sobre mim e sobre o que se passa comigo. Claro que existem outros intervenientes, como não podia deixar de ser.
Posso considerar positivo o balanço entre o deve e o haver. Mas podia ter sido melhor. Muito melhor. Mas assim não aconteceu. Não sou o virtuoso e todos os demais que me rodeiam não são inaptos na minha vida. Tenho que reconhecer onde errei, coisa difícil para um ser orgulhoso e casmurro, como eu. Se mais não fiz foi porque não pude ou não soube.
Quero deixar um obrigado a todos aqueles que directa ou indirectamente, fazem parte da minha vida. Com vocês eu cresço e cresci.

12 outubro 2007

Quem me dera planar no ar

Quem me dera planar no ar.
Erguer-me do chão e voar.
Ter a vertigem da altura.
E chorar o sal do mar.

Com o vento e o frio
A servirem-me de agasalho.
Com os pássaros em roda de mim.
E as nuvens sob o meu corpo.

Quem me dera levantar os pés da terra.
Não pesar sobre ela o meu corpo.
Poder abrir os braços.
Para experimentar o sentido de ter.

A sensação de poder cair.
A incerteza. O risco.
Pesa-me tudo. Escolho um lago
Azul para mergulhar.

11 outubro 2007

Changes in the way

Não sou de esteriorizar sentimentos no plano social. Talvez os astros saibam dar a resposta. Mas a verdade é que me sinto sozinho. Como tantas outras pessoas se sentem. Neste momento novos desafios me revelam que tenho que seguir em frente e pensar, um bocadinho em mim.
Hoje trouxe uma prenda que me deram para casa. Está intacta como no dia em que a recebi.
Este novo rumo que irei tomar, fez-me recordar uma vez mais, o pressentimento que tive uns meses atrás. Já o referi mais do que uma vez. Este ano iria ser de mudanças, o que se está a verificar. Oxalá corra pelo melhor.
Não deixo de me sentir sozinho. Sem pena de mim.


Big Wall, greater steps


10 outubro 2007

In the mood for love - Disponível para amar

Vi este filme já a alguns anos atrás. Um filme que me surpreendeu pela positiva. Não costumo falar muito de filmes e de livros, mas abro aqui uma exepção. Este filme tem desde logo uma banda sonora de cuidada escolha e com o toque ocidental e oriental ao mesmo tempo, próprio do tempo e espaço que retrata. Comprei o CD logo depois de o ver. O DVD comprei anos mais tarde. Fica aqui tambem uma palavra para a fotografia e guarda roupa, para os exelentes actores e para a magia do relaizador Wong Kar Wai. Este filme pela mensagem que transmite, é ao nível do estudo relacional e comportamental, uma obra a não perder.
A história não conto para melhor o sentirem.
Bom filme.

07 outubro 2007

Posso chamar-te dia. Posso chamar-te noite.

Posso chamar-te dia. Posso chamar-te noite.
Posso chamar-te com a boca.
Posso chamar-te com os olhos.
Posso chamar-te amor.

Posso chamar-te paixão.
Posso chamar-te ilusão.
Posso chamar-te...?
Posso? E tu vens ter comigo?

Não receias o perigo?
De não saberes o que sentes?
De incompreensivelmente não saberes nada
Do que sentes?

E eu sem saber nada disso...
Posso chamar-te! E chamo-te.
E chamarei até não te poder chamar mais.
O silêncio.

29 setembro 2007

Um facto

Bom parece que as pessoas me continuam a desiludir e pouco se importam com isso. Só o seu grande ego manda nelas. O que importa é que se sintam sempre no controlo da situação, sempre com o cacetete pronto a malhar na cabeça de quem querem. Toda a prosápia que elaboram sobre qualquer coisa é sempre pensada com o intuito de jogar. E utlizo este termo jogar, para não dizer urdir. Acho que é uma mera perda de tempo gastar cinco minutos numa conversa que parece ser inocente para depois se revelar mais que isso. E essas pessoas devem pensar que são as maiores, porque se estão a borrifar completamente para o que os outros pensam ou sentem. E isso não é ser amigo... Não tenho paciência para pessoas que só veem o seu umbigo. Que se idolatram e não param de se auto-elogiar.
É uma pena saber que existem seres humanos, que de humanos tem tão pouco...

23 setembro 2007

Tu existes

Tu existes. Esta é uma certeza que tenho. Até me dá vontade de rir ao perceber que estou a escrever isto, de tão óbvio que é.
Existes em mim, dentro de mim. Não me perguntes o que sinto, o que temos, ou o que podemos ter. Não sei responder. Só sei que existes em mim.
Pode ser um caso epidémico de paixão, de desejo, não sei. Sei que não te sou indiferente. Uma coisa eu sei. Estás aqui. Em mim. O resto não sei. Só posso fazer o melhor que sei e posso. E tenho raiva de não saber o que é isto. De não saber o que tu queres. De estarmos assim congelados. Talvez não seja importante saber tudo o que não sei. Talvez o mais importante seja saber que existes. Que fazes parte de mim.

Anda desce comigo cama abaixo.

Anda desce comigo cama abaixo.
Deixa a chuva entrar na pele.
Abraça-me e deseja-me.
Tira-me tudo o que tenho.

Deixa-me nú. Crú.
Arranca-me o pensamento.
Esventra-me com o teu beijo.
Deixa-me dar-te...

Baralha-me, confunde-me.
Faz-me querer-te para não mais
Desejar ninguém.
Sob as estrelas és a única...

Grito para que ouças.
Anda desce comigo cama abaixo.
Deixa-me sentir. Faz-me morrer.
Vem comigo.

11 setembro 2007

Já não sinto

Já não sinto.
Estou como que anestesiado.
Não sinto o que devia sentir. A dor.
A raiva. Tudo.

Só sei que respiro. Que estou vivo.
Não consigo pensar.
Tudo é estranho, o que me resta.
Incomodado acho que estou.

Incomoda-me não sentir.
Incomoda-me não pensar.
E estranho este outro estranho,
Que estranha o estranhar.

Uma chama queima o meu cérebro.
Aprecebo-me que está aqui.
E essa luz não a posso ignorar.
Ainda não se apagou...

07 setembro 2007

Pintar?

Estou seriamente a pensar em (re)começar a pintar. Nunca será uma pintura de que se diga com qualidade, tenho essa certeza, mas será um esforço e tentativa para me pôr a prova na arte dos pintores. Bom pintar é desenhar com tintas ou não. Acrílico ou carvão penso que serão as minhas primeiras escolhas. Tenho dois quadros prometidos já a algum tempo. De facto não sei bem quando os irei entregar ou se chegarei mesmo a pinta-los. Neste momento tenho essa vontade. Mas é só vontade. Não passa disso.
Tenho algumas ideias do que irei fazer ou melhor, do que pretendo fazer, mas algumas são bastantes ousadas implicando logística afincada. Quando se diz que na pintura nada se pode inventar mais, penso que é metade verdade. O reinventar, reordenar espaços e cores numa tela é de facto um desafio aliciante. O que me leva para além da estética a querer apreender esta ocupação, é tambem a possibilidade de transmitir ideias ou formas que atendam a um pensamento ou linha. Se essas ideias a transmitir já foram anterirmente equacionadas por outrem não me importa. Vale sim o esforço e a possibilidade de o fazer.
Não me interessa quantas vezes a água da fonte já foi bebida, o que eu quero é beber também.

06 setembro 2007

Era uma vez uma Nina

Certa vez convidaste-me para ir á praia. Já não nos viamos a muito tempo. Por a conversa em dia e acima de tudo, residia em mim a sensação de que esse encontro representava um teste para o que eu poderia sentir por ti. E quem sabe se ao contrário tambem. Passamos o dia na praia, passeamos junto ao mar, no paredão. Não esqueço que a tua prenda não se afundou. Palavras tuas. E por entre olhares velados de incerteza e sensualidade, acabamos a tarde num centro comercial onde te comprei prendinhas...
Chegamos a casa. Tomaste banho. Depois eu. Reparei que na tua casa de banho, estavam muitas coisas de menina. Ganchos para o cabelo, perfumes, um secador. Reparei também e isto não esqueço, que tinhas uma escova dos dentes eléctrica. Saí da casa de banho a cheirar ao teu gel.
Ofereceste-me um snack da Nesquik. Sentei-me numa ponta do sofá e tu na outra. Olhamos nos olhos do outro. A resposta estava dada. Terei sido irreflectido? Penso que não. Fui sincero. Talvez sejas o que nunca irei ter. Não sei. Sei que nessa noite a cama foi só uma, com dois corações separados. E adormecemos.


04 setembro 2007

Uomo-lume

Arranha céus a cair de podre...

Arranha céus a cair de podre...
Um céu escuro de côr castanha.
Um mar de gente esfomeada a seus pés.
Cheira a pobreza. A fome.

Agonio-me. As ruas imundas que piso são esgotos.
As caras tristes e famintas atropelam-me.
Ninguém me olha nos olhos. Olham para o chão.
E como zombies andam por ali.

Tudo organizado. Tudo com um sentido.
O caos é gritante. Tudo é um frame de filme.
Como se fossemos aliens de nós.
Complica-se a fotografia.

O enquadramento é mau.
A luz é mediocre. Os actores sofriveis.
O realizador não realiza.
Seres rastejantes conquistam o seu espaço.

E é tão bom escrever sobre o céu azul.

E é tão bom escrever sobre o céu azul.
Sobre as criancinhas traquinas.
Sobre as flores do jardim.
Tão bom que é falar do amor!

E pintar quadros cor de rosa!
E tentar fugir da vida.
Esperando que ela nos leve para onde queremos.
É tão bom sorrir sempre.

Tudo isto me mete dó.
Tudo isto me entristece.
Qualquer dor não pode ser, só porque não.
E a quem doí não é dada alternativa.

Fingir. Fugir. Fintar o destino.
Não me perco por ruas estreitas.
Ando em largas avenidas, de prédios altos.
E sou mais um que anda.

Um rotor. Que respinga energia.

Um rotor. Que respinga energia.
Zumbe. Aquece.
O metal enfurecido comunica velocidade.
O vento sai-lhe das entranhas e faz voar a máquina.

Qualquer coisa que o parta.
Que o faça parar. Sempre a vontade.
Nem o pensamento é mais forte que a acção.
Basta um dedo no botão.

Tudo se encaixa. Basta querer.
Só com a acção, com esse acto, se pode parar.
Se pode arrancar. Só o pensar é pouco.
Agir é indubitavelmente urgente.

Traçar uma seta no cérebro e segui-la.
Ignorar o ignoravél. Apreender o melhor.
Purificar o salúbre. Transformar o impuro.
E perdoar o que não se perdoa.

As palavras fogem de mim como a água da fonte.

As palavras fogem de mim como a água da fonte.
Não as encontro. Tenho os sentimentos orfãos de letras.
Tenho as dores e alegrias sozinhas e abandonadas.
Às vezes fico no escuro do quarto assim...

E tudo parece óbvio e desinteressante.
Cinzento e sujo como as ruas daqui.
Sem nada onde me fixar.
Sem nada onde me sentar.

Para sentir o que há a minha volta.
E ouço um violoncelo...
E penso no teu rosto.
Qualquer coisa saltita.

É tão estúpido ser racional.
Não sinto quando o sou.
E sem sentir não encontro as palavras.
E escrevo no escuro, nada.

28 agosto 2007

Não sei rezar.

Não sei rezar. Nunca o soube fazer. Não o sei fazer da maneira que toda a gente reza. Tenho várias maneiras de comunicar com quem nos escuta e entende. São sempre pessoais estas formas de me fazer escutar. Tenho uma forma que de vez em quando ainda utilizo quando me lembro. É verdade, nem sempre com a frequência que seria desejável o ponho em prática. Foi publicado no blog um artigo que descreve com pormenor o que não vou falar aqui. Posso dizer que a filosofia budista me atrai e sempre me atraiu. Bom indo ao ponto que interessa. De manhã e à noite, seguindo esta filosofia à risca o crente tem que pronunciar três vezes as palavras nam myoho rengue kyo.
Para saberem mais tem que ler o post atrasado, já não sei o mês em que o publiquei.
Estava eu a falar de rezar. Pois nunca fui dado muito a estas coisas de rezas e afins. Tenho um enorme respeito por todas as crenças e religiões existentes, não menosprezando nem idolatrando qualquer uma delas. Aliás um agnóstico como eu nunca o poderia fazer. Voltarei a este assunto, podem estar certos disso.

26 agosto 2007

Abbraccio







Anda cá.

Anda cá.
Estou a chamar-te. Vem.
Esquece o que sabes. Vem.
Fecha os olhos e vem.

Se não os conseguires fechar, põe uma venda nos olhos.
Dá os passos até mim. Devagar se quiseres. Não tenhas pressa.
Não quero que caias nem tropeces. Usa as mãos para saberes onde estás.
Anda. Passo a passo. Ouve.

Ouve o som do chão. Ouve o som do escuro.
Anda cá. Segue a minha voz. É por aqui...
Ouves a minha voz? Sou eu que te chamo.
Sou eu que te quero aqui.

Vem. Porque ao me encontrares,
Vais perder o medo. Vais tirar a venda.
Vais olhar-me nos olhos. Vais abraçar-me.
Vem... passo a passo...

Foges de mim como o vento...

Foges de mim como o vento...
Apareces como o vento...
Sinto-te como o vento...
Estás sempre comigo.

Esse vento que de manhã nos cala a calma.
Que de repente nos atropela. Que nos esfria.
És e não te vejo. Vem... sopra ao meu encontro.
Envolve-me e faz-me sentir-te.

De manhã ao acordar, ao abrir uma janela.
De noite a olhar para a lua. Sopra para mim.
Faz com que a minha boca seque.
Para de seguida tomar um beijo teu.

Sopra para mim o teu amor.
Acaricia a minha face com a tua pele sedosa.
Faz o que o desejo te impele a fazer.
Abraça-me com força...

23 agosto 2007

A professora de inglês

Uma vez no 12º ano uma professoara de inglês, uma universitária arrogante, perguntou a toda a turma o que cada um, se pudesse mudava alguma coisa do nosso passado, que não quisessemos que tivesse acontecido. Eu, respondi que não mudava nada, ao contrário dos outros meus colegas. Muito indignada, a professora perguntou-me porque não mudaria nada no meu passado, já que todos e penso eu ela, teriam muitas coisas a mudar. Respondi que não mudava nada porque não é possível mudar o que está feito. Entre dentes disse qualquer coisa que me escapou, mas senti que não estava a contar com a resposta. De facto, nós somos responsáveis pelos nossos actos, sempre asumi os meus, não irei nunca de deixar de assumir o que faço. Eu fiz, está feito. as consequências essas não as posso delegar em outrem. A mim só a mim cabe levar em ombros o meu passado. O bom e o mau.
É fácil pensar que não fizemos tal acto, nem dissemos tal coisa. Mas o facto é que tudo o que nós fazemos nos influência para toda a vida. Influência o futuro. O nosso. Com esta ideia em mente, relembro uma frase que por vezes me vem a cabeça: o destino somos nós que o fazemos. Não deixa de ser verdade se tivermos em conta o que disse anteriormente.
O presente que já é passado, tem consequências inevitáveis no futuro, seja ele próximo ou distante. O homem tem um dom de esquecer as coisas más e exacerbar as coisas boas. Talvez por isso, se diga constantemente que a esperança é a última a morrer e que ainda não se vê uma luz ao fundo do túnel. Tudo isto é o pensamento positivo a manifestar-se e a tentar apagar o que de mau aconteceu anteriormente, para que nós mesmo inconscientemente sejamos levados a procurar o melhor que nós soubermos fazer no futuro.
Saibamos nós aprender com os nossos erros, saibamos nós perdoar, saibamos nós amar.
A vida é uma só. Tem uma linha que não tem recuos. Não escolhemos para nascer é verdade, mas já que aqui estamos, penso que temos que aproveitar o que de bom temos para viver. E quem não sabe dizer os momentos de felicidade que teve neste ou naquele lugar ou ocasião. Esses momentos são para se repetirem. Não vale a pena fugir ao nosso destino como seres humanos. De facto vivemos para saborear o que de bom a vida tem para nos dar. É essa a lição que a vida nos dá.

17 agosto 2007

Le Grand Bleu

Bebo um copo de água fria tirada do frigorifico. Tento refrescar os miolos. A descida ao fundo do poço é sempre complicada. Em apneia ainda por cima. E tenho que tentar chegar ao fundo e olhar se vejo o que me espera lá em baixo. O mais difícil depois de saber o que lá está em baixo, é a subida. Não abrir a boca, sabendo que se o fizer não é ar que entra... mas sim água que me afoga em segundos. Por falar em apneia e deixando de lado a singela certeza que tenho de que estou a ser um verdadeiro chato, relembro o filme Vertigem Azul, Le Grand Bleu em francês. Tenho o DVD, o original. Recomendo. A esta hora da noite não posso ser muito descritivo e coerente, mas vale a pena ver.
A esta hora da noite penso em ti...

Irradio angústia. Dou a tristeza.

Irradio angústia. Dou a tristeza.
Começo por contar as estrelas que já tive,
Sob o meu olhar meigo.
Desperto o choro.

Declamo os poemas só meus.
Escrevo as dores só minhas.
Bebo o fumo dos cigarros que fumo.
Insipiro o ar inundado de amor.

Redigo os sentimentos interiores.
Mendigo uma carícia com tremores.
Resvalo num corpo de suores.
Mereço tudo isto?

Exausto de existir parece-me que um dia será melhor.
Incrédulo por não saber viver. Inclino o corpo para a frente.
E ando sem parar. Até desaprender quem sou.
Até chegar ao fim.

12 agosto 2007

The shadow of you




Anda até mim e congela-me.

Anda até mim e congela-me.
Pega em mim e leva-me.
Leva-me para bem longe.
E descongela-me depois.

Põe-me ao ar quente do calor.
Deixa que eu descongele ao ar.
Onde me vais pôr?
Quando me vais levar?

Arrebata-me o inabalável coração.
Leva-me à traição!
Tira-me os sentidos...
Faz-me encontrar estando perdido.

Faz-me frio e congela-me.
Para depois me descongelares o coração.
Tratares com o calor da paixão.
Faz-me frio...

04 agosto 2007

Pintadas a carvão, as pessoas caminham na rua.

Pintadas a carvão, as pessoas caminham na rua.
O traço é largo. O primeiro esboço corrigível.
Cabelos e corpos distorcidos.
Prédios e montras de saudades.

Friccionas o desenho com as mãos.
Das-lhe textura. Das-lhe côr.
E toma vida o desenho a preto e branco.
Consegues saber o que queres.

Pensas nos pormenores. Desenhas os olhos.
Afastas os riscos que não queres.
Carregas os traços. Defines as fronteiras de tudo.
Olhas o desenho e vês o que queres.

Não podes voltar atrás. Não podes apagar.
É teu. Um fragmento de ti.
Corriges mentalmente os erros.
E vês o belo de não ser perfeito.

29 julho 2007

Claro. Escuro. Noite.

Claro. Escuro. Noite.
Dia. Água. Areia.
Azul. Olhos. Castanho,
Como as castanhas que comi.

Amargo. Limão. Amarelo.
Sol. Calor. Suor que suei.
Prazer encarnado. Molhado.
Tu.

Querer. Ir. Andar. Caminhar.
Até ao pé de ti. Beijar. Desejos
Inocentes de felicidade. Dor.
Um futuro presente. Gostar.

Estrelas como setas direitas a mim veem.
Passam por mim. Trespassam-me. Energicamente.
Raiado de energia contemplo o futuro.
Com frio de pensar e o calor de amar.

27 julho 2007

Escafandrista

Tinha que apanhar um táxi. Estava o tempo abafado sem um brisa de ar. Entrei e logo comecei a falar com o taxista. Tempo abafado, disse eu. Ele disse que era por causa da maré naquele dia. Não tendo percebido a razão questionei se ele era pescador. Disse-me que não. Que sabia essas coisas por ter passado muito tempo na marinha como mergulhador. Estava praia-mar, nem a encher nem a vazar por isso não havia vento. Logo tive tema de conversa. Disse-me que a marinha portuguesa tem um grupo de mergulhadores prontos para enfrentar qualquer eventualidade. Lembrei-me imediatamente de um filme onde entra o Robert de Niro e Cuba Gooding Jr chamado Men of Honour. Nesse filme em paralelo com a emocionante história, percebemos como a instrução de um escafandrista militar é puxada e dura. Por vezes no limite da dor, quer seja ela fisíca ou psicológica. Montar peças debaixo de água e desmontar. Eram eliminados se perdessem uma porca ou um parafuso. Todas as garrafas de ar eram disponibilizadas para o mergulhador tentar encontrar o que tivesse perdido.Mas o melhor era não perder mesmo.
Fiquei a saber que o terceiro submarino da nossa esquadra se chamava Delfim, juntando-se ao Albatroz e ao Barracuda. Todos para abater, a espera dos dois já encomendados.
O taxista falou-me dos testes em piscina onde era colocada uma garrafa de oxigénio no meio e uma em cada canto da piscina. O teste consistia em passar por todas as garrafas sem utilizar a do meio. Se assim fosse era eliminado. Também era eliminado se viesse a tona de água. Difícil pensei eu. Pois é. Mas para baralhar as contas não estava sozinho dentro da piscina. Atrás dele estavam mais dez colegas de curso a fazer a mesma coisa. Enchiam os pulmões de ar numa garrafa e seguiam para a próxima. Não se podiam demorar em cada golfada de ar porque se assim fosse, menos ar tinham os camaradas que vinham logo atrás. O espírito de camaradagem aqui fortalece-se. Incrível pensei eu. Esta prova de facto parecia-me muito dura. Mas como não chegasse o taxista disse que passou por uma muito difícil. Noite, sem saber a prova que iriam fazzer. Entraram no zebro ( bote dos fuzileiros) até não se ver a costa. Dez no barco com os fatos de mergulho e barbatanas. Saltem! Vinte e quatro horas a nadar. A comida e água era fornecida e sempre acompanhados pelos camaradas nos botes. Passou. Fez várias comissões. Não arranjou trabalho na área porque a dez anos atrás não existia mercado virado para as coisas do mar. Agora já vai havendo mas mesmo assim pouco disse ele. Hoje é taxista.


21 julho 2007

La pazzia


Com carícias e eternos beijos

Com carícias e eternos beijos.
Provas a vida. Olhas a minha boca.
Sentes que me queres. E abraças-me.
Queres sentir mais. Respiras com a boca aberta.

Olhas-me nos olhos e as tuas mãos estão na minha cara.
O teu corpo colado ao meu caminha por mim.
O teu cheiro. A tua pele. A tua boca. Eu sinto.
Queres?

O tempo é de ter. De receber.
Sem misericórdia a paixão ataca.
Do simples passo, o laço se faz.
Enlaçados ali, sentimos o tempo de ser.

Resta-nos respirar o ar. Olhar os olhos.
Sentir o cheiro. Beber o suor. Caminhar a par.
Simples tempos vivemos.
Os dois...

Maquinista

O maquinista do comboio com as mãos o guia.
A máquina obdece ao sentido que lhe dão.
Os carris são repassados pelas rodas de ferro.
O tempo de passar fica para trás.

Chega o tempo de andar, andar, andar.
O ruído dos carris. O cheiro da máquina.
Lá fora andam as coisas. Passam velozmente.
E o tempo é parado por ti. Paras o movimento.

No interior. É um sentir. Um andar estando parado.
Sente-se que se anda depressa.
Sem hipótese de acompanhar o movimento.
Deixando que a máquina te leve. Vai...

Levita. Sofre os mais sentidos erros.
Com a consciência de que a raiva é levada pelo movimento.
Pede que depressa ande. Saúda o andamento. Sorri.
Implode de racionalidade! Só a emoção trasborda de ti.

16 julho 2007

Stolen Kiss

Aviso: Se estiverem numa paragem de eléctrico com um bando de escuteiros espanhois da Andaluzia, não entrem! Tive a triste ideia de entrar e atrás de mim entraram os "escutas" que encheram por completo o pacífico eléctrico da Carris. Never again!
Passámos pelos pastéis de Belém, antes de ir ao CCB. E como está mudado para melhor a casa dos pastéis. Tem um espaço que ainda não conhecia, amplo e recheado de mesas onde os turistas, nacionais e estrangeiros, se sentam para provar o delicioso pastelinho. Ah, se pedirem uma frize de maça, não se esqueçam de pedir de maça verde. Se pedirem uma frize de maça, o empregado pode trazer-vos uma frize de maça reineta ou então como está na moda uma frize de maça-limão! Maça verde...
Passear pelos jardins da Praça do Império, é um verdadeiro prazer. Desfrutar da claridade e do amplo espaço, retempera a alma e enaltece a calma. Para os amantes... um espaço de culto, sem dúvida.
Já foram ao CCB ver a exposição da colecção Berardo? Não...? Então acho que está na hora de programarem uma visita. De facto, depois de tudo o que se disse estava com um certo receio de ir ver uma exposição de alguns quadros de relevo. Mas foi mais do que isso. Esculturas, videos, instalações e quadros que nos deixam sem respirar como se estivessemos no fundo do mar pela primeira vez. Não posso retratar aqui tudo o que vi, mas uma nota especial vai para Mondrian. No final do post vou colocar o link para quem quiser ver o que está a perder. E podem tirar os pins do coração que são grátis! Eu tirei só um e logo o quis por na lapela do casaco. Mas não consegui e por isso tive que pedir ajuda para o pôr. Está direito. Ora aí está o que interessa! O pin tem que estar direito. Quando cheguei a casa reparei que estava um bocadinho torto. Mas o dia esse, passei a pensar que o pin da minha lapela era o mais diretinho de sempre! Ai como nós somos...
Não vi toda a colecção porque já passava da hora de jantar. Jantámos junk food, apanhámos o autocarro da Carris mais pequeno em que já andei. Parecia a Toyota Hiace do meu padrinho. E andava que nem uma doida pelas ruas da cidade. Saimos em Santos e a pé fomos até ao Cais do Sodré até ao O'Gillins. Acabámos aí a noite, porque o tempo assim o ditou.
A música essa foi de facto especial e não nos livramos de ouvir a música irlandesa que no filme Titanic, colocou Kate e Leonardo a dançar. Pouco faltou... O segundo postal foi dedicado...
Deste dia guardo um espaço, agora, para ti. Os beijos e abraços. Os carinhos e tudo, tudo. Tudo o que não consigo descrever por palavras por ser demasiado simples.

12 julho 2007

Fracções

Acabei de encontrar uma melga caída, morta, ao pé do meu pc. Já nem me lembrava que à uma boa meia hora tinha tentado com um bater de palmas, apanhar esse insecto que nesta época do ano invade cada casa que tenha uma jenela aberta (acabei de apanhar outra, agora com um dedo contra o guarda-fatos que está à esquerda da secretária... tou com sorte hoje).
Aqui estou eu e o meu blog, companheiro de muitas noites de insónias e de noites mal dormidas.
Estava a lembrar-me antes de escrever, que era bom recordar os tempos que vivi a cada ano que passava, durante um mês, na terra dos meus avos maternos. Aí, durante um mês por ano tinha contacto com a natureza na sua mais pura realidade. O campo. O esplendor da noite estrelada. Nunca vi um céu como ali. E os morcegos que voavam na noite, em volta da luz do candeeiro que como um aspirador, chamava os insectos. O calor sem sentir a brisa do mar é terrível. E os cheiros das pedras. As casas velhas como aquela em que eu estava. Pedras feitas pela mão dos antigos, trazidas de longe, postas sobre outras pedras no seu conjunto a casa fazia-se. A loja, aquele espaço debaixo da casa, onde se guardava tudo o que se possa imaginar. As arcas com o pão, as pipas com o vinho, as enxadas, as foices e os martelos também. Lembro-me agora do meu avô. Pessoa simples mas que sabia mais que eu e penso que saberá sempre mais. Sabia as fases da lua, o tempo que ia fazer amanhã, como regar e plantar tudo. Conhecia os caminhos e as pessoas. Todos o conheciam. Todos o cumprimentavam quando passava na rua. Tinha eu doze, treze anos, quando passava com ele a caminho de casa. Se disser que parámos três vezes para provar o vinho dos vizinhos, não é mentira. Guardo dele os olhos azuis e a bondade com que me tratava.
Á minha frente tenho na parede um quadro, escolhido por mim de Ibo Dreyer. No canto inferior esquerdo uma fotografia de grupo dos camaradas do meu pai, amigos que ficaram desde os tempos da guerra de África. Cheguei a ir a um desses almoços. E ao início era muito confuso não conhecer aquelas pessoas que tratavam o meu pai como um amigo de à muito tempo. Fiquei a saber coisas que sempre me tinham intrigado, nessa fase da vida bem guardada do meu pai. A guerra não foi fácil para quem tinha dezanove ou vinte anos. E as perguntas foram saíndo da minha boca e respondidas por quem estava mais à mão. Fiquei a saber que não é só no nascimento e na morte que somos todos iguais. Na guerra também. Talvez adicionando os sentimentos e toda a vida que cada um levou para lá. Mas na vida de cada um, não sei se haverá um sentimento de igualdade e de grupo como ali. Sem isso muitos não tinham vindo de volta para a metrópole, Lisboa.
Para finalizar uma lembrança de menino. O cheiro da terra no Inverno, a chuva que molhava quem passava e que para atravessar a estrada punha os pés nas poças de água. Adorava ficar à janela a olhar a rua, as pessoas. O vidro esse, por estar tão perto dele embaciava. Não nos devemos aproximar demais do vidro da vida, podendo ele embaciar e não nos deixar ver a realidade como ela é. Neste momento tenho a janela aberta... e mesmo se fosse Inverno estaria escancarada...

11 julho 2007

Onde a música se ouvia e a orquestra tocava

Onde a música se ouvia e a orquestra tocava,
No alto da cidade nos sentámos e sentimos o outro de nós.
E com a calma por Rainha e o tempo por Rei convergimos ali.
Uma linha se escrevia. Um cheiro se fazia. Um círculo de abria.

E nas pedras as flores de lís escritas olhavam-nos discretas.
E pelo labirinto das ameias, pelas passagens e escadas,
O cansaço não havia. O início.
Sempre a vontade de te ter.

E o frio. A gruta esperava-nos como viajantes perdidos.
A confissão dos rendidos. O olhar dos sentidos.
E o vento. Já com a certeza de nós... caminhámos.
Onde o escuro estava nos sentámos.

Olhei para ti. O beijo. O teu. O meu.
E a noite dos beijos nos sorriu. E a noite foi minha e tua.
A rua clara. A calma de te saber em mim.
O querer te dizer.

E o rio que me trespassa o corpo

E o rio que me trespassa o corpo
Funde-se com o meu sangue.
Prosa física natural que me traz
A saudade que sinto de ti.

E como trovões flamejantes
As visões que tenho de ti,
São puramente eléctricas.
Simétricas. Práticas. Activas.

Sopra o vento na montanha.
Cobre-me o frio...
E estou a gelar.
O tempo é de me constipar.

Vem ao meu encontro e faz-me.
Instala o teu calor em mim.
Cobre-me a cabeça com o teu véu de cetim.
Olha-me nos olhos e diz-me.

09 julho 2007

Não sei o que é... mas que é bom é...

Não sei o que é... mas que é bom é...
Não sei o que é que está a acontecer entre nós. Só sei que estou a gostar de sentir o que sinto. Um sentimento de paz, de calma, de desejo mutuo, um sentir que me entendes tão facilmente. E sentir que te dás sem pejos, sem atilhos. E isso é tão bom sentir. Não pensava encontrar alguém agora, que me fizesse sentir assim. E o dizer que sim, o anuir a tua vontade, saber que o tempo é senhor do destino. Que só ele consegue fazer o que é melhor para nós. Não vale a pena forçar a linha que ele tem. E esse entimento de calma, o sentir o que se quer, saber que o melhor a fazer é esperar que ele nos dê aquilo que por consequência temos que ter.
E diante da minha capacidade racional, vejo-me a chamar-te fofa... agora sorrio... E penso que sou um pouco parvito...
És distante quanto baste para sentir que estás aí. Sabes manter a distância que por vezes, por puro egoísmo queria que não existisse. Mas o mais engraçado é que não sinto qualquer tipo de angustia, de ansiedade. Claro que te quero ter. Mas ao pensar nisso, não me sinto mal. Sei que existe qualquer coisa que me dá a calma necessária para esperar. Talvez seja o saber que não se pode apressar o que não pode ser apressado. Saber que o tempo passa sempre da mesma forma e que ao sentires a mesma coisa, ao quereres a mesma coisa, me completas.
E por muito que queira encontrar uma explicação, agora não me importa em rotular o que temos, até porque o que temos não quero que tenha rótulo. Não quero um rótulo "institucional". Não quero comprimir o que temos com convenções e espartilhos socialmente em uso. O que temos agora é tão bom, que até parece um daqueles produtos brancos dos hipermercados. Melhor que as marcas que existem à venda.
Agora uma reflexão. Á pouco tempo atrás escrevi que para existir uma relação, tinham que existir três permissas: a vontade, o querer e o poder. Quero aqui referir que me fizeste alterar essa equação, somando mais uma permissa. O dever. Esta permissa, é a última e a que anui para que as três anteriores sejam de facto postas em prática. Vejo agora que o dever, está aqui representado como um conceito moral ao nível individual. Não sei se esta análise é correcta, de futuro tentarei fazer mais luz sobre este tema.
E agora para ti... my darling... um beijo.

08 julho 2007

Tu

Tu.
Beijar-te. Sentir o teu corpo que se dá.
Sentir o meu desejo de ti.
E querer mais até ao fim.

O eléctrico que passa, leva-nos para o que queremos.
Traz-nos para o que vivemos. Sabes bem.
Os teus olhos de vontade perdem-se em mim.
O teu desejo é o meu por ti.

E pensar ás vezes basta para saber.
E a tua boca fala e eu olho. E quero.
E um beijo teu é um beijo meu.
Sorve-me com vontade...

O teu cheiro ainda o sinto. E quero mais.
Quero saber quem és...
Quero saber o que és...
Quero que saibamos...

05 julho 2007

Absorto

Absorto como um saco de plástico vazio.
Nem as imagens mais reais e terrenas me fazem sair daqui.
E o querer alguém faz-me mal. Penso demais.
E evoluo para um estado semi-inconsciente.

Reflicto sobre o que fui. E absorto me sinto.
Reagir. Absorver. A lógica não existe.
E a escrita torna-se um exercício fisíco,
Muito mais que mental.

Um passo recorrente, de um animal carente.
E por absorto me sentir, faço traços mentais.
Rasgos de normalidade fugidia.
Sem a nenhuma conclusão chegar. Sem razão para agarrar.

Sou eu e a pele que me envolve.
E ajo de maneira a que tudo seja.
Nem é o que queria, nem o que poderia.
Talvez seja só qualquer coisa...

04 julho 2007

One naked flower







No hay banda!

Este post deve ser o mais estranho que já escrevi aqui. Tudo isto porque me apetece escrever muita coisa mas não o quero fazer. Não porque tenha medo que se saiba do que se trata, porque o posso fazer sem que se perceba do que estou a falar ou mesmo até porque nunca refiro nomes.
Posso ter a ousadia que estou a desconstruir um post? Talvez sim , talvez não. Lembram-se da peça musical onde a orquestra não toca a música, o maestro não conduz, mas que tem público a assistir? John Cage é o compositor para quem tiver curiosidade. De facto apraz-me escrever nada e dizer tudo o que tenho para dizer, sem o dizer. Só eu sei o que escrevi aqui. Só eu sei o que sinto. Só eu sei quem és...

27 junho 2007

Gostei da companhia

Gostei de conversar contigo. E gostei ainda mais do teu sorriso. Gostei da tua simplicidade.E gostei do dia, mesmo com frio, a vista do miradouro era muito bonita.
Percorremos as ruas de Lisboa, os dois, e senti calma nesse dia.
Não sabia como iria ser esse encontro de nós. Não foi estranho, mas simples. De uma simplicidade quase tão clara como o ar. E por muitos caminhos errados que percorremos, acabamos por chegar ao destino final. O príncipio do resto, o início. E o jantar estava normal. Bitoque sem ovo, com ovo para mim. E tomamos café e saimos com a calma necessária para me dizeres: ... então não é mais bonita assim a rua? Ao que tive que anuir, por ser verdade. Lisboa de noite, tem menos pessoas e a luz é diferente. E dissemos adeus.
E olhei para trás e vi o teu olhar.

26 junho 2007

Não tinha que ser

Por vezes a vida encarrega-se de nos fazer ver as coisas de diferentes formas e contornos. Este fim de semana que passou o que podia ser não chegou a ser. O porquê de não ser, penso que só a própria realidade o pode dizer. A vontade, o querer e o poder, depressa se evaporaram. O fugir ao destino neste caso pode ter sido o erro fatal. Enfrentei o Destino, quis depressa demais o que não sabia como era, e talvez essa pressa confundisse o que devia ter sido.
Não vai ser mais nada a partir desse dia.

18 junho 2007

A imperfeição

A imperfeição de não querer.
De não desejar o que me dás.
De não querer desejar.
De querer só viver e perceber.

Perceber que tenho que parar.
Respirar. E viver para saber.
Não querer o que não desejo.
Só desejar o que quero.

E a calma mete medo.
É preciso saborear a solidão como um peixe grelhado.
Com limão, manteiga e batatas cozidas.
E demorar...

Para depois quando me apetecer desejar a carne,
O faça com vontade de ter, de desejar.
Passo a passo, ponho a carne no assador.
E asso, asso, e por custar vai saber melhor quando tiver.

Ando a a voar

Pedras e mais pedras caem no chão.
Desfazem-se em pedrinhas e pó.
Piso e calco as ruas, o chão.
Ando sobre o mar.

Ando a a voar.
Ando no ar. Levito.
E tudo que vejo já foi tudo.
E agora é só o que vejo. O que é.

E a minha pele já foi um corsel.
Que galopava nos campos.
Ja fui rocha e lágrimas.
Sou agora eu.

E os átomos que me fazem assim,
Por um acaso da sua distribuição acabaram por resultar em mim.
Construção imperfeita que busca como um íman o outro eu.
Para além de tudo, prendo-me ao que já terei sido.

15 junho 2007

Tenho-te no pensamento

Tenho-te no pensamento.
Dou por mim a pensar na tua dor.
Quero-te com forças, forte.
Levantando quem está perto de ti.

Quero que tenhas a visão dos corajosos.
A pronúncia dos inteligentes.
O pensamento dos idealistas.
A felicidade dos bons.

Aquela que me fez chorar de amor,
Tem que ser, agora, um mar de força.
Quem me pode dar o teu pensamento?
O vento? Ele que corre por cima de ti...

Aquele que chorou, sente-te perto.
Quem te tem dentro dele, está aqui.
Escrevo na noite, para ouvires as teclas.
Ouves?

Já foste...

Não errei. A culpa não foi de nenhum dos dois. Já me disseste que não sentes o mesmo desejo que eu. Agora só tenho que esperar desejar outra pessoa, como tu própria disseste. Não me interessa saber o que correu mal, se fui demasiado depressa para o teu passo, ou se não sentias o que julgavas sentir.
És muito cativante por isso é difícil não gostar de ti como pessoa e por acréscimo no meu caso, desejar-te como mulher. Mas desde o início que sabia de dificil tarefa aquela a que me propus. Saiba eu guardar-te como amiga e preservar a tua amizade que eu sinto ser sincera. Eu sou um cabeça no ar ás vezes, mas arrisquei. Se te desiludi de qualquer forma, acredita que não era a minha intenção, mas o que está feito não se pode emendar. Não tenho qualquer tipo de rancor, porque como tu própria disseste, aconteceu e não sabes explicar o porquê de já não me desejares. Agradeço a sinceridade e a honestidade que sempre tiveste para comigo. Eu sempre o fui contigo também. E assim é bem mais fácil conversar e respeitar a decisão que tomaste.
A busca continua. A procura é incessante. E sei que serei feliz.

14 junho 2007

Clean







Mordes-me o pensar

Mordes-me o pensar.
Comes-me a pele.
Pensas-me a ideia.
Amas-me o corpo.

Sentes-me em ti.
Vens comigo.
Abraças-te a mim.
Respiras comigo.

Tiras-me o fôlego.
Vês os meus olhos.
Apertas o meu corpo.
Saboreias a minha boca.

E de repente o silêncio do prazer invade o ar.
E o cheiro de nós é penetrante como um perfume raro.
Como acabados de nascer respiramos e sentimos que estamos vivos.
Juntos. Sós. Damos o prazer de amar e sentir o desejo.

13 junho 2007

Agora, tem dias

Neste momento que escrevo muita coisa está a acontecer. Coisas que sei, que não sei, que só sinto. E em todos estes acontecimentos, de uma coisa estou certo. Há coisas pelas quais tenho que lutar. Se as quiser claro. E quero, entre outras coisas, gostar de alguém, partilhar, ser gostado, respeitar e ser respeitado. Ter alguém que me tente entender, que mereça a minha confiança, que se dê por completo, como eu. E isto neste momento pode acontecer ou não. Já depende mais de mim do que a algum tempo atrás. Mas não sei se quero ter uma relação ou mesmo um caso fortuito, por pouco tempo que seja. Quero sim ser eu próprio e se acontecer acontece. Não vou planear nada. No passado recente, as coisas a nivel emocional estiveram mal, depois bem e de repente mal outra vez. Não estou com isto a dizer que estou mal. Estou como estou. Sozinho sem aquele apoio, sem o carinho, sem a partilha da intimidade física. A minha ultíma relação, se é que lhe posso chamar assim, foi sol de pouca dura. Mas naqueles dias quem me queria ver, era com um sorriso de orelha a orelha. Agora, tem dias. Faz-me falta o contacto amoroso. E muita coisa condiciona essa questão. A vontade é um exelente condicionante. O principal. Se não existe vontade de uma das partes, é muito difícil para não dizer impossível, ter algum tipo de relação afectiva. Mas estou a espera, também me faço díficil claro, também sou orgulhoso e muito teimoso. Mas no final é que se fazem as contas por isso... Só posso dizer que estou com vontade de gostar, de me apaixonar, de partilhar. E se esse gostar for breve, se for uma relação casual, por exemplo de uma noite, não estou muito interessado em saber se fiz mal ou se fiz bem. Sei que tudo o que fizer vai ser porque quero, porque tenho vontade. E como já tenho umas nódoas negras das quedas da vida, já não me vou surpreender com as que virão.

Fiquei triste

Não sabia. Fiquei a saber. Fiquei triste. Mas sabes que estou contigo. E as palavras são poucas.

Festas de Stº António

Passei a noite de 12 para 13 na romaria alfacinha que é a festa de Stº António. Considero este santo o meu preferido. Quando tiver tempo tenho que ir visitar a igreja que tem o seu nome. Uma falta que não sendo grave, é passível de se tornar com o tempo.
Nestas alturas a confusão reina na cidade e até a praça do Comércio vi como não a via à muito tempo, cheia de carros. Uma imagem horrível. Depois de muito praguejar la cheguei ao Camões e dai para a Bica, com vontade de comer e esperando ainda servirem refeições. Fiquei a conhecer uma portuguesa que veio agora de Florença para acabar o mestrado em fenómenos de imigração. Pouco faladora, deve ser pelos anos que viveu em França.
Sardinhas assadas com batata cozida, salada e sangria, foi o repasto. Com a mousse e o café ficou tudo em onze euros. Depois de uma ida ao W.C., fomos pagar a conta com multibanco... que estava sempre a falhar a ligação. Depois de esperar dez minutos lá nos despachamos e saimos para a confusão.
Local de festejo, a zona do elevador da Bica. Muita gente, estrangeiros, muita gente nova, essencialmente gente com respeito pelo outro. Nestes ajuntamentos é sempre de pensar que pode haver confusão, mas até que foi serena a noite. Muita imperial. Muita música e conversa.
Para casa, cigarros os últimos, conversa e caminha. Acordei tarde e a más horas. Tomamos o pequeno almoço e fomos tomar café. Estava frio, mas era um frio agradavel, quando me pus a caminho de casa.

11 junho 2007

Sandes

Hoje fui comer a uma daquelas casas que vendem sandes. Como sempre pedi uma Alsaciana e uma fanta. Não percebo porquê, mas não bebo coca cola com sandes... Aqui fica o mea culpa, porque de facto não é uma comida muito saudavel. Mas era o que me estava a apetecer. A empregada registou o meu pedido na sua massa cinzenta e passados dois minutos veio com a notícia. Sem cebola não podiam fazer a sandes. Muito me espantei porque sempre pedi sem cebola e sempre atenderam a este meu pedido. Mas acabei por escolher outra sandes, a Gaulesa, também ela muito saborosa, e que não tinha pimentos nem cebola. Tinha carne assada e mais qualquer coisa que não me lembro. A fanta essa estava magnifica! Depois um cafezinho e um cigarrinho, tudo coisas que fazem bem à saúde. Não falei das batatas fritas de propósito.
O dia estava limpido e claro. A neura atacou até a bocado... o que vale é que tenho tido um rémedio que a ataca imediatamente. A minha vontade de ser feliz... e quem sabe uma boa noite de sono...

10 junho 2007

Queria ter um tubo de cola UHU

Queria ter um tubo de cola UHU,
Para me colar a ti.
Para não saires do meu lado.
Queria ser o teu rebuçado.

Para me desembrulhares.
Ser chupado por ti deve ser... ui....
E as trincas....
Queria ser o teu queijo fresco.

Para me desembalares e mastigares.
Queria ser o teu gelado de limão.
Para sentir o quente da tua boca.
Queria ser a tua roupa interior.

Para saber o que é bom...
Queria ser a tua bicicleta,
Para pedalares comigo...
Queria ser a tua cama...


E numa noite de verão, com a praia deserta, sentados na areia, olhava o teu decote...
E a lua sendo amiga, iluminava o escuro do teu peito...
E com a tua mão no meu pescoço, dava-te um beijo.

09 junho 2007

Um simples queijo...

Estava a ver a repetição de um programa on-line que falava sobre nutrição, o que me fez pensar no que como todos os dias, e como como. Todos sabemos que devemos ter cuidado com o que comemos mas nem sempre temos a preocupação de escolher o que é melhor para nós. Vamos lá a cortar com as gorduras e os açucares, para pouparmos no ginásio!
Este assunto, fez-me recordar um episódio que agora, olhando para trás me dá vontade de reclamar, no mínimo. Depois de ter feito o check-in num aeroporto de Paris, ficamos na fila para que fossemos revistados. Até aqui tudo muito bem. A segurança acima de tudo. Quando chegou a minha vez depois de ter deixado os meus pertences numa caixa de plástico rectangular, o segurança pediu-me para abrir a minha mochila. Devo dizer que tinha uma garrafa de água quase cheia, que antes da revista me apressei a beber para não ficar com sede no avião. Aliás a água era minha e não era um francês qualquer que ia ficar com ela! Bebi até ficar com três dedos de água na garrafa. Na revista a garrafa passou, é verdade... nem me pediu para abrir a garrafa. Mas um simples yogurte magro, que estava na mochila à três dias e que ainda não tinha deitado fora, não o pude levar. Tudo bem disse eu, a garrafita já tinha passado, e como eu não queria que o senhor não tivesse o que comer ao lanche disse que não havia problema. Fiquei sem o yogurte mas com a água.
Duas amigas minhas tinham comprado queijo francês para trazerem para a família. Uma passou sem problema, mas a outra ficou sem os queijos, indicando o segurança que por motivos de segurança o queijo era proibido no avião. E agora eu pergunto, um queijo é uma bomba? Parece que para os franceses sim. A meu ver o senhor queria lanchar e ali já tinha um bom lanchito, com um yogurt e um queijo a coisa até se estava a compor. O que é mais perigoso? A minha garrafa com três dedos de água ou um queijo? Que estupidez pegada! Decerto que passaram diversos objectos que poderiam ser muito mais ameaçadores e que não foram proibidos de embarcar. Só espero que o senhor segurança tenha mesmo comido o queijo e o yogurt, e que tenha passado a noite no W.C.!

01 junho 2007

Eu sou aquele que anda

Trespassa-me uma calma.
Um sentimento enquanto tinha um cigarro na mão.
E olhava a rua, o céu, a lua, e uma estrela, lá no alto.
E era uma calma de sentimentos.

E não sentia nada e sentia tudo.
Porque não pensava. Só o cigarro e os pulmões serviam.
E os olhos serviam de lentes de aumentar.
Sondando a realidade, sedento, eu de olhar.

E pensava que é melhor não pensar.
Não pensar no que acontece.
O que acontecerá é mais importante.
E a calma desaparece.

Sou o que me deixas ser.
Sou quem posso ser.
Sou quem pode e nada manda.
Eu sou aquele que anda.

29 maio 2007

Parece

Parece que todos se afastam... talvez eu me afaste também. Ou será por estar tão próximo que existe esse distanciamento? Não percebo. Não entendo. Por variadas razões, uns e outros, começam a distanciar-se de mim. De uns sei as razões de outros nem por isso. E daqueles que sei quais são essas razões, compreendo e aceito. Alias não podia fazer outra coisa. Embora me seja dificil de aceitar.
Vai começar um mês que para mim vai ser dificil, muito dificil. Não vou enumerar aqui a causa, mas deixo uma pista, prende-se com o passado recente, ainda a ferver na memória que tento esquecer. O que vale é que brevemente terei as merecidas férias, para descançar.
E não vou fazer esforço nenhum, mesmo nenhum para sentir as pessoas perto de mim. Há pessoas que estão muito perto, mesmo estando longe e outras que estando perto, estão muito longe de mim. Como dizia não me vou esforçar para ser o menino que fala com toda a gente, que está sempre a rir e que contagia todos com a sua boa disposição. Pois quando isso acontecer acontecerá naturalmente. E o mais certo é cada vez acontecer menos e com uma baixa na qualidade. Temos pena, meus amigos, a vida está assim cá para estes lados. Tenho que poupar forças, criar estabilidade emocional para o que se aproxima. Alguns de vocês sabem que existe um tremendo problema entre a minha pessoa e uma pessoa que já não faz parte da minha vida. Esse problema pode ser resolvido ou não. Pode tornar-se uma problema ainda maior. E aqui está o meu receio, a minha ansia, o meu mau estar que passarei a demonstrar. Passei por uma fase identica no final do ano passado. Encontrei um refúgio nessa altura. Agora estou desabrigado, à chuva e ao sol. Mas tudo farei para que o que hoje é um problema se encontre uma solução. E não quero paternalismos nem a conversa do coitadinho. Só quero a vossa amizade. Nada mais. E mesmo essa sou eu que a tenho que regar e cuidar. Porque meus amigos... é dificil aturar-me eu sei...
Do resto falarei em outra altura. O resto, sim a emoção, disso mais tarde irei falar. E estou convencido de que não será para breve.
Remeto aqui uma nota, para o pressentimento que descrevi anteriormente. Estou neste momento perto do furacão e estou certo de que irei entrar nele e quando irei sair... não sei. Aguardando ansiosamente ser feliz, caio nesta incerteza e mal consigo pensar. Só posso agradecer a todos os que me querem bem, por aquilo que sou e nada mais.

24 maio 2007

Música para os sentidos

No fim de semana passado com um grupo de amigas, descobri que a cidade tem mais do que se pode ver. Fui trocar um casaco e duas camisas que estavam pequenas e como se não chegasse comprei tambem uma boina! Combinei um café, com uma amiga que estava um bocado em baixo e com ela vieram mais três... Surpreesaaa! Depois de comer um pitta shoarma, não sei se é assim que se diz, mas "whatever"... fui ao encontro delas numa esplanada da baixa lisboeta, e que bem que se estava. Surgindo do nada um conjunto de música israelita aguçou-me os sentidos para um ritmo que sentia já conhecer, que já era íntimo. E com os demais curiosos que se juntaram como ouvintes e participantes, olhei os músicos cada um com o seu particular chapéu e intrumento. Um violino, um violoncelo, uma viola, um clarinete e um percursionista. Um concerto a "borliú" que ninguém estava á espera. Um sábado bem passado, por oposição ao domingo e ao resto da semana...
Mas cá estou eu, sempre com um pé na racionalidade e outro na emotividade.